O Exterminador do Futuro: Gênesis

2015-10-16

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Diferente dos outros dois filmes anteriores, Genesys resolve homenagear a saga original revendo as cenas clássicas do filme de 1984, refilmando-as com menos charme, e entregando novas reviravoltas. Como tradição, inova o modelo T-800, mais uma vez trazendo uma novidade da época, a nanotecnologia. Não se saindo tão mal quanto o terceiro filme, mas impedindo qualquer empatia do público com essas novas versões de Sarah Connor, Kyle Reese, John Connor e Terminator, sua “sacada genial” é revelada no meio da história, e para os que tiveram a sorte de não assistir nenhum trailer e não ver nenhum pôster, pode até ser uma surpresa, mas surpresas não necessariamente tornam um filme melhor, e nesse caso temos o efeito contrário.

Não adianta nem tentar entender a história em sua cronologia, pois a partir do momento que várias linhas do tempo convergem e competem entre si nada faz muito sentido. Passado e futuro são recriados ao bel prazer do roteiro desnecessariamente confuso da dupla Laeta Kalogridis e Patrick Lussier, e o filme do diretor televisivo Alan Taylor soa televisivo do começo ao fim, e tal como em séries de TV repetitivas, traz Arnold Schwarzenegger repetindo seu papel como um guardião em diferentes participações que fazem as homenagens esperadas, além da frase “venha comigo se quiser viver”, dita por vários personagens ao longo da série.

Dessa vez pelo menos há um elenco relativamente competente, embora empalideça diante dos personagens dos dois primeiros filmes. Emilia Clarke como Sarah Connor convence pela sua energia, mas não há nada no roteiro que a faça conter a profundidade de uma sobrevivente. Ainda que muito jovem, Linda Hamilton já trazia o peso do drama em sua expressão de preocupação constante acerca de seu próprio destino na loucura do primeiro filme, e no segundo a preocupação iminente acerca do filho e do futuro eminente que os cercavam no pré-apocalíptico “Dia do Julgamento”.

Schwarzenegger possui diferentes versões neste filme, em que a mais nova é obviamente um boneco de plástico estilizado, mas a mais velha o torna o membro mais respeitoso do elenco. Mais uma vez ele repete suas falas, mas mesmo que de maneira automática consegue soar mais autêntico que nos filmes anteriores, mais sábio, com um timing e cadência de alguém que quis novamente o papel. Porém, sua energia não é mais a mesma, e as cenas de luta e perseguição possuem apenas sua silhueta que sabemos ser de um dublê, computadorizado ou não.

Jai Courtney é um Kyle Reese mais complexo que o visto no filme original, embora Courtney não esteja à altura e comprometa o resultado junto do roteiro. Suas falas mais memoráveis são de alívio cômico que não funciona, pois Alan Taylor não consegue criar a atmosfera necessária que nos envolva dramaticamente para que a comédia faça sentido como escape. A atuação de Courtney é o exemplo mais didático de um filme que está no automático, sem engajamento.

Talvez o mais impressionante é que, não importa o quanto tente-se inovar o conceito de um exterminador robótico, nada parece se comparar à forma esquelética clássica, que é digno de um filme de terror até hoje. Pode ser a imagem nostálgica de quando efeitos visuais eram mais difíceis, e até stop-motion era utilizado. Vivemos épocas mais maleáveis na computação, e nossa imaginação não pega no tranco tão bem em ver joguinhos de computador dentro de um roteiro.

Aliás, esse roteiro escrito a quatro mãos é quase um passeio a um parque de diversões, semelhante ao filme anterior, do que uma trama de fato. Um Jurassic World futurista, cujas intenções também estavam longe de contar uma história. Essa tendência recente de apenas mimetizar a experiência visual dos espectadores e ignorar que personagens devem ser criados e uma história precisa ser contada pode ser uma boa para o cinema pipoca, mas está anos-luz atrás da boa e velha identificação de um drama, por mais absurdo que este fosse. Mesmo que lidasse com a inescapável corrente do destino.

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