O Feitiço

Wanderley Caloni, 2019-06-22.

Um épico em uma pequena história do século 20 no México. Pré-adolescentes descobrindo as delícias do sexo com mulheres maduras. A história econômica e política da região do ponto de vista dos trabalhadores. E tudo isso gira em torno de um suposto feitiço.

Há um fascínio pelo desconhecido, seja uma simpatia de um ancião ou um rádio de onde se ouve vozes, mas a maioria tem que ganhar o dia e está alheia a tudo isso. Este é quase um Baaria do México, que pega um protagonista e através dele passamos por dez anos de História. E que deve ter custado doze vezes menos.

O diretor Carlos Carrera se apaixona pelo conteúdo e alonga o terceiro ato a ponto de vermos o que não queremos e torcer para que acabe no próximo fade. Qual a mensagem? Nenhuma. Mas o filme insiste em se tratar como um épico.

A fotografia é bela, imortaliza cenas com o uso apaixonado das sombras e dos tons que lembram quadros históricos pintados. É um filme plasticamente lindo, que evoca nossos sonhos e desejos em um carrossel de emoções construído com vários personagens. A música, grandiosa, significa que estamos testemunhando um evento único, mágico, e que convém este ritmo solene.

Mas no final das contas este é apenas um filme confuso que tenta abordar temas demais com pouca estrutura, que vai ruindo aos poucos, com o passar dos anos.

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