O Gabinete do Dr Caligari

Wanderley Caloni, 2019-03-30.

Caligari! Caligari! Caligari! Um grito surdo que se traduz no cinema mudo com este nome sendo escrito pela tela de todas as formas. Este é um dos representantes do expressionismo alemão que inspirou o estilo noir que por sua vez está influenciando o neo-noir. Cenários com sombras distorcidas, elementos exagerados na tela, maquiagem pesada estilo gótico (o de indivíduos, não a arte alemã). É um filme curto que já arrisca detalhes novos na linguagem como paralelismo, sonhos e certa complexidade na história.

Hoje é analisado pelos críticos como uma clara alusão ao Estado alemão pré-nazista, crescendo como um ser autoritário sem controle e massacrando o povo judeu. Sim, tem maluco para tudo no mundo da arte. Como primeira camada, é a história do misterioso Dr. Caligari e seu sonâmbulo. A história se desdobra duas vezes e a cada vez que você assiste percebe algum detalhe novo. A reviravolta inicial a gente nunca esquece, pois não é esperado de um filme tão antigo.

Note os cenários pintados, um tanto distópicos, assimétricos. Isso combina com as sombras e as maquiagens exageradas. O ator que faz o somâmbulo Cesare, Conrad Veidt, é um típico exemplo do passado quando os atores eram escolhidos por suas características físicas e comportamentais, minimizando o trabalho de atuação para o Cinema, que exigia um estilo mais caricato para ficar claro o que os atores faziam com seus personagens. Isso no expressionismo alemão é vital.

Por fim, vamos ver o que Pedro Monteiro, uma incógnita da Wikipédia, tem a dizer sobre o expressionismo alemão:

O expressionismo, nascido na Alemanha no final do século XIX, é maior que a idéia de um movimento de arte, e antes de tudo, uma negação ao mundo burguês (grifo meu). Seu surgimento contribuiu para refletir posições contrárias ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico, através de obras que combatiam a razão com a fantasia. Influenciados pela filosofia de Nietzsche e pela teoria do inconsciente de Freud, os artistas alemães do início do século fizeram a arte ultrapassar os limites da realidade, tornando-se expressão pura da subjetividade psicológica e emocional.

Ou seja, fica aqui a dica: expressionismo alemão é coisa de comunista safado.

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