O Homem que Não Estava Lá

Wanderley Caloni, 2020-04-15.

Como o uso das cores no cinema hoje em dia é mais para distrair a atenção do espectador para o que realmente importa. Essas foram as palavras de Roger Deakins, diretor de fotografia deste filme dos irmãos Coen. Deakins está em seu primeiro longa-metragem totalmente em preto e branco e sua entrevista no DVD que assistimos tem mais de meia-hora falando sobre as especificidades do formato, a escolha do processo de revelação durante as filmagens e uma visão artística e pessoal de Deakins sobre o passado, o presente e o futuro da fotografia no cinema. O seu entrevistador estava mesmo inspirado.

Este é o nono filme creditado para Joel Coen (Ethan ainda não constava nos créditos como diretor) e é mais um daqueles estudos de linguagem cinematográfica, uma homenagem e exploração dos filmes noir e de investigação com o tom da década de 40 após a segunda guerra. No entanto, o filme vai além, pois acaba nos revelando ser um estudo de um personagem completamente alheio ao que lhe acontece. No final você sai perturbado, esquecido, desalentado. E extasiado. O uso da linguagem cinematográfica pelos Coen acaba vazando pela história, mas ela permanece relevante até o fim, pois não é possível para o espectador se desvencilhar daquele mundo absurdo.

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