Mistério da Rua 7

2011-03-14

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Mensagem de cunho católico no mesmo molde de O Nevoeiro, porém, determinado a sacrificar a história pelo bem de um contra-ataque nada elegante?

Pelo menos temos alguns aspectos técnicos que, além de corretos, tornam a cinematografia distinga: note a fotografia pálida nos momentos de luz, representando, ironicamente, a falta cada vez maior da própria luz.

Mas como nem tudo são flores (ou luzes), o uso pouco imaginativo dos efeitos visuais compromete a experiência pretensiosamente aterrorizante das sombras que observam encostadas nas paredes. E se somos levados a esse ambiente pelos efeitos sonoros dos inúmeros sussurros que ecoam dessas mesmas paredes, nos falta o ritmo adequado para acompanharmos algumas das melhores cenas (como o resgate do projecionista machucado no ponto de ônibus).

Mesmo assim, outras cenas funcionam bem como suspense, como a do corredor misterioso ao lado do gerador de força do bar que serve de abrigo aos sobreviventes. Porém, essa sequência não seria possível sem trapacear no roteiro, pois subverte a regra específica que Luke havia ouvido em um vídeo momentos após o “ataque”, dizendo para manter-se confiante apenas na luz que está em suas próprias mãos.

Além da história sofrer com um roteiro tão confuso quanto o mapa da cidade, a trilha sonora batida estilo “terror dos anos 70”, que funciona tão bem no suspense A Caixa, protagonizado por Cameron Diaz, aqui soa exatamente como soaria se alguém usasse uma música dessas em um terror contemporâneo: batida.

Por fim, pagando o preço por não ter desenvolvido seus unidimensionais personagens, o que vemos na conclusão não chega nem perto de fechar um ciclo de mistério; no máximo, nos deixa levemente surpresos e angustiados por, talvez, quem sabe, uma terrível continuação.

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