O Pacto

2019-07-04 · 3 · 442

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

O terror japonês pode ter todos os defeitos do mundo menos o de ser enfadonho. Aqui vemos nos primeiros minutos cerca de cinquenta garotas colegiais se dando as mãos, contando até três e pulando no trilho do trem para serem esmagadas em uma sequência de várias tomadas capturando para onde foi todo aquele sangue. E você ainda não viu nada.

Este é um terror psicológico que lida com o medo irracional, mas compreensível, de termos nossos instintos sequestrados por alguma espécie de hipnose e nos entregarmos a qualquer impulso que termine com nossa própria vida, como pular de algum lugar alto. Ele lida com o medo de nós fazermos isso, nossos entes queridos ou a sociedade começar a fazer isso. Como você lida com uma crise como essa?

O detetive Toshiharu Kuroda (Ryo Ishibashi) pretende primeiro convencer seus colegas de que este e casos recentes são assassinatos e não casos isolados de suicídio que ocorrem em grandes cidades. Ele tem a ajuda do surgimento de uma bolsa com uma coleção de pequenos retângulos de peles cortadas costuradas uma junto da outras, mas nem isso parece convencer os obtusos policiais, que ainda que divirtam pelo jeito bonachão de andar por aí fazendo perguntas estão completamente deslocados da atmosfera do filme.

Esta é uma história completamente ficcional, mas que lembra um pouco alguns casos de seitas de suicídios coletivos já ocorridos no Japão, e ninguém desavisado como eu duvidaria que poderia de fato existir algo como um Clube de Suicídio. Dessa forma, beneficiado pela cultura… não-ortodoxa do japonês, o filme se beneficia da dúvida honesta do espectador.

Porém, há um limite para tudo, e quando o filme começa a brincar com fantasmas, reviravoltas de hacker e o uso de uma girl band que temos certeza que está espalhando mensagens satânicas através de suas músicas fofinhas, fica difícil acompanhar a história sem um sorriso no rosto, apreciando a farofa se formando ao lado das poças de sangue das próximas vítimas.

O surgimento de um bando de garotos liderados por um rapaz de salto alto e muito glitter na roupa, uma versão metrossexual japonesa de Laranja Mecânica, faz o pouco sentido que havia no mistério ir por água abaixo. Ouvimos o salto alto cantar sua icônica (e bonita) canção, e é um dos momentos mais chamativos do longa. Mas o que ele quer dizer? Não pergunte.

O Pacto tem claras tendências niilistas, mas sequer sabe disso. Ele lida com suicídio muito melhor que o Ocidente. Deve ser os recordes da prática. No entanto, fazer um bando de crianças recitar filosofia barata e sem sentido sobre ligações não nos deixa sair satisfeitos com a “resolução” da trama.

Suicide Club (Japan, 2001). Dirigido por Sion Sono. Escrito por Sion Sono. Com Ryo Ishibashi, Masatoshi Nagase, Mai Hosho, Tamao Satô, Takashi Nomura, Rolly. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·