O Pai dos Meus Filhos

2011-06-12

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

A diretora-roteirista Mia Hansen-Løve consegue prender a atenção mesmo em um filme cujo assunto fica vago do começo ao fim. O mais irritante, contudo, em O Pai dos Meus Filhos, é a maneira covarde com que ele flerta com o nosso próprio sentido de narrativa.

Não há, de fato, um vilão no filme. Pior do que isso, não há um herói. Vítimas da situação com que se encontram, a família Canvel tenta de todas as formas conciliar seus problemas em torno de seu patriarca, vivido por Louis-Do de Lencquesaing de uma maneira misteriosa pela própria exigência da história. Grégoire Canvel, o pai de família carinhoso e ao mesmo tempo ausente, consumido cada vez mais pelos problemas financeiros de sua produtora de filmes.

Porém, covarde não é o filme pela falta de certezas pelas quais podemos nos guiar, mas pela própria falta de senso de coesão, por nos colocar em uma situação de cúmplice ao vermos um elemento novo surgindo do meio do nada e que acaba por apenas estender, sem acrescentar o suficiente, para que aquele desvio valesse realmente à pena.

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