O Pai

O Pai é um filme que vai se percebendo o drama aos poucos. Ninguém está narrando a história, então você terá que acompanhar os detalhes pelos diálogos. E depois de um filme inteiro, sua última frase ressignifica tudo o que havíamos visto anteriormente.

A história é simples: Pavel (Ivan Barnev) precisa urgentemente voltar para seu trabalho e casa após o enterro da mãe, mas seu pai, Vasil (Ivan Savov), está agindo estranho e precisa da proteção do filho nesse momento frágil. O filme gira em torno do filho tentando se livrar do pai sabendo que ele está seguro, e talvez o ponto mais fraco do longa, é óbvio que seu pai não estará seguro por boa parte da história.

Este é um trabalho em conjunto de dois diretores e roteiristas búlgaros Kristina Grozeva e Petar Valchanov. Ambos estudaram na mesma academia de cinema, e já trabalharam em vários projetos. Eles realizam uma comédia de situação que se transforma em um drama sem ninguém forçar nada no roteiro. Acompanhar a história é tão natural que parece fácil chegar nesse nível de fluidez.

E isso porque há vários elementos que são iniciados e vão sendo explorados em paralelo. O mais tocante é o pedido da mulher de Pavel: trazer uma geleia caseira de um sabor específico. Esse pedido vai sendo realimentado pela história em vários momentos que soam naturais -- uma cena em uma delegacia parece o ápice dessa piada, mas não termina por aí -- e é justamente isso que torna "O Pai" um filme que vai te levando sem você nem perceber direito.

Wanderley Caloni, escrito para ou com a ajuda de Cinemaqui, 2019-10-24 00:00:00 +0000

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