O Ritual

Um "noviço" que, desistindo da vocação de padre, resolve dar uma última chance ao seu superior fazendo um curso de exorcismo no Vaticano. Há um diálogo estranho do superior insistindo no rapaz. Com o uso de uma cena forçada do superior causando a morte de uma ciclista, parece que o filme irá jogar suas causas de uma maneira não-orgânica.

O clima de conspiração lembra Anjos e Demônios (a trilha corrida), e eu consigo relacionar quase sem querer a relação dos demônios na terra assim como os terroristas ("seu maior poder é nos convencer que não existe", "eles guardam a sete chaves suas identidades"). Seu pai e sua família cuidarem de maquiar defunto não me parece motivo para nada no filme.

Dando a impressão em seu início sóbrio que o filme é inseguro de si, ele resolve partir logo para a apelação, o que denota também a insegurança de seu espectador.

Nessa situação, nem um ator do calibre de Anthony Hopkins consegue salvar este projeto. Pior para ele, vítima das cenas mais grotescas filmadas, como ao bater em uma menina.

Todas as vezes que os detalhes sutis ganham contorno, como uma cena que o personagem se corta ao fazer a barba, ou uma menina cortando cabelo, ou até mesmo uma travessura utilizando sapos, o filme fica interessante. Infelizmente a história nos leva cada vez mais acerca do sobrenatural, que não é tão interessante assim.

Com caracterizações nada marcantes em um exorcismo que chega a ser patético, e nunca conseguindo no convencer de suas reais intenções, as fraquezas de O Ritual estão presentes demais durante todo o longa, o suficiente para obliterar suas poucas e sutis virtudes.

Wanderley Caloni, 2011-11-02

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