O Último Exorcismo

2010-09-24

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Esse é “O Exorcista” invertido. Aqui o padre, que na verdade é tipo um reverendo de sua religião, possui suas dúvidas com respeito a Deus, e usa a religião como um meio de ganhar a vida. Reflexo exato do atual status das religiões polêmicas, que as usam também como um meio de se proliferarem, o próprio padre afirma que o principal é fazer as pessoas abrirem a mão, pois não se vive só de fé.

Afetado pelo recente assassinato de um menino que foi vítima de um exorcismo mal planejado, o padre vira protagonista de um documentário que busca mostrar um exorcismo sendo feito, e pretende demonstrar como tudo isso é fajuto, exatamente para evitar que as práticas do exorcismo ainda sejam levadas adiante. De acordo com ele, o exorcismo hoje em dia está mais ativo que nunca, e o próprio Vaticano multiplicou por várias vezes o número de exorcistas que ele mantém.

Praticante de ilusionismos simples que tornam tanto seus cultos quanto os exorcismos impressionantes, na primeira parte do filme (que é sempre mostrado como um documentário real, inclusive com várias partes com pessoas pedindo que desligue a câmera, cortes não previstos e perda de foco constante — às vezes até demais) mostra um “pseudo-exorcismo” feito pelo padre, com seus efeitos mágicos, e termina com ele recebendo uma soma em dinheiro e indo embora.

Já a segunda parte pressupõe que a menina está realmente possuída, pois ela vai até onde o padre está hospedado, a 8 km de sua casa, e aparece de repente, transtornada e não se lembrando de nada. Depois de levada ao hospital e entregue ao pai, que evita qualquer tratamento psiquiátrico, ela ataca seu irmão e torna as coisas mais tensas em uma noite inesquecível com a dupla de cinegrafistas e o padre.

Nunca revelando um teor sobrenatural de fato, o filme brinca muitas vezes com o improvável, mas nunca se revela forçado, rendendo alguns bons momentos de tensão, em especial a sequência que a menina pega a câmera e sai com ela, indo de encontro ao padre e atacando-o, tudo mostrado pela câmera, com giros fortes, mas sempre mostrando o que mais importa.

Por fim, temos uma conclusão de que de fato a menina está traumatizada e fantasiando, pois ficou grávida de um rapaz que trabalha em uma lanchonete de estrada e está com vergonha de si mesma. O que seria, na minha opinião, o final mais que aceitável, depois de tanto medo e tensão.

No entanto, o filme revela-se mais um da série “Atividade Paranormal” ao exagerar na narrativa, ao mostrar os personagens descobrindo ser esta explicação do menino forjada (ele é gay) e encontram a menina sendo vítima de um ritual “antisatânico” que aborta seu filho (“isso não é humano”, de acordo com o padre, e dando um ar de Bebê de Rosemary em que o bebê aparece). Por fim o trio é descoberto com o padre indo de encontro à fogueira onde o demônio é queimado (revelando uma mudança drástica em sua forma de pensar), a apresentadora é assassinada e o “cameraman” é pego pelo irmão da garota.

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