O Voto é Secreto

Wanderley Caloni, 2019-09-02.

Este filme parece uma propaganda do governo incentivando o voto com não-atores dizendo falas prontas para incitar a reflexão no espectador. Uma pena que o formato seja tão simplório. Sem personagens, sem atores, sem história, O Voto é Secreto consegue no máximo fazer-nos pensar por que está região do mundo está usando democracia.

É dia de eleições. E como funciona por lá, lá sendo um país do Oriente Médio, com habitantes dos mais diversos perfis espalhados por uma região e não obrigados a votar, e também nem muito interessados? Uma caixa é jogada de paraquedas de avião e uma agente chega em um posto de fronteira vigiado por dois guardas para fazer o trajeto das casas dessa gente para coletar votos até o final do dia.

Essa agente é mulher, o que gera estranheza do guarda que a deve acompanhar, mas ele vai do mesmo jeito. E ela é uma estagiária que acabou de passar no concurso público e está super-empolgada com o processo das eleições. Não é pra menos: quando você tem menos de 20 anos e acredita nas balelas que a educação pública te enfiou na cabeça, o voto ainda é a arma do cidadão.

Então ambos saem de carro à caça de eleitores. Ela fala todas as obviedades sobre o poder do voto. Ela tenta vender o voto como políticos vendem promessa de campanha, como se ao escrever dois nomes em um pedaço de papel fosse mudar a vida de todos em volta. E pra melhor, claro. Sempre pra melhor.

A farsa se torna clara conforme nenhum dos supostos coadjuvantes não gera qualquer empatia do espectador e quando nos momentos finais até o guarda faz um questionamento desses de universidade pública (por que não há eleições três ou quatro vezes ao ano, em vez de quatro em quatro anos?), geralmente a pergunta que pessoas ingênuas e estudantes de universidade pública fazem.

Sem a mínima condição de sustentar alguma reflexão de fato, o diretor Babak Payami ainda demora para cortar algumas cenas em que ele imagina o espectador pensando no que acabou de ver. Afinal, pensar sobre o voto faz as pessoas discutirem ideias, não? Não realmente. Voto é uma variante desse mesmo mecanismo que fez lavagem cerebral nessa menina. É um filme triste, que se alonga e não entrega nem essa reflexão.

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