Os Incompreendidos

2020-04-22 · 2 · 276

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Primeiro filme do Truffaut, meio biográfico (o cineasta foi um delinquente juvenil), exemplo de Nouvelle Vague. Esse foi o começo da desconstrução da narrativa burguesa opressora.

Mas nada disso importa muito, pois o filme funciona porque mostra a verdade, que está nessa relação pais e filho, nas trocas de frases que todo filho já ouviu. Abortar ou não abortar, adoção, um pai brincalhão e uma mãe entediada e nervosa por ter um filho e viver em lugar apertado na capital com ela trabalhando. Esta é uma das “Parises” mais realistas, tanto que me sinto em São Paulo da minha infância. Isso porque algo acontece com a verdade quando ela é transparente: se torna universal. E toda cidade grande se parece. Toda vida humana tem em parte o drama da incompreensão.

Esse garoto virou o queridinho do diretor e fez o mesmo personagens em mais três filmes ao longo do tempo. Truffaut, então, se tornou o primeiro e autêntico Richard Linklater. Truffaut e Goddard foram os críticos que Bazin patronou em sua revista Cahiers du Cinema.

Mas isso não importa também. O filme funciona. Na escola vemos esse professor da época que se parece com qualquer professor antes do modernismo exarcebado dos dias de hoje. A sociedade é vista em cada detalhe. Há muita improvisação. Em um ritmo calmo e contemplativo duas músicas iluminam o caminho da emoção. A música-tema é a que fica para sempre no coração.

Não é um filme para sentirmos dó do seu protagonista, mas para transmitir a sensação de sua vida. E a vida passa independente do que vemos… esta é a vida filmada, o proto neo-realismo criado por Truffaut e companhia.

The 400 Blows (France, 1959). Dirigido por François Truffaut. Escrito por François Truffaut, Marcel Moussy. Com Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble, Georges Flamant, Patrick Auffay. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·