Os Insaciáveis

2020-05-28

Uma produção da época dos grandes produtores e diretores de fantoche, que seguiam as fórmulas para as grandes produções. As atrizes eram suas mulheres e os atores e atrizes moviam a indústria. Esta deveria ser a história de Howard Hughes, cuja biografia autorizada foi dirigida por Martin Scorsese em O Aviador, com Leonardo DiCaprio no papel, mas devido à indiscrição e à paródia desta versão ela usa nomes falsos para contar a fictícia história deste outro herdeiro milionário que virou produtor de filmes e aviador. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Jonas era uma pessoa perturbada, mas o vemos como um gênio dos negócios todo o tempo enquanto não consegue se tornar um homem decente. É um filme engraçado sem querer ou uma paródia de época que envelheceu mal, onde muitas cenas se tornam uma paródia da própria época e do próprio estilo de fazer paródias. Se passa em mansões, em carros, em aviões, em estúdios, em exageradas lutas, e em pessoas voando e em mulheres que se entregam a este homem porque ele é O Cara.

Com tons de Cidadão Kane sem o mistério nem os enquadramentos ou a fotografia, Os Insaciáveis é uma mensagem ao mundo de decadência do cinema americano em grande estilo. Isso se tornou o símbolo de como é o cinema por lá. Era uma Vez em Hollywood relembra essa derrocada com tristeza em nossa época.

Há muitas cores como novidade. E uma tela widescreen. Os trailers do DVD são da mesma época e mostram a importância para a época de uma tela grande e larga, cheia de cores, ação, aventura e romance, ou seja, as sensações baratas que hoje fica por conta dos filmes da Marvel.

Com ótimas falas e um pouco de estranheza que preenchem a bizarrice de uma época e seus sinais de não conseguir se olhar no espelho diante do ridículo, Os Insaciáveis é cinema de observação de uma época que não volta nunca mais. Ou volta, só que em outra roupagem.

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