Oscar

2020-06-21

Quando o chefão do Oscar faz um discurso dizendo que agora oficialmente serão dez os indicados a melhor filme para promover representatividade, diversidade e todos os ades de quem é ista, ele não está sendo um cara legal. Ele está apenas revelando o quanto o Oscar e/ou a sociedade como um todo funciona e o que irão fazer a respeito: nada. Porque nada é o que este povo que se diz politicamente consciente está acostumado a fazer para mostrar que sabe de algo que você, alienado, não sabe, e farão algo a respeito. Bom, resumo da história como sempre: não, não sabem e não, não farão. Não sabem matemática e não farão uma revolução. Provarão ignorância na arte dos números e hipocrisia e conveniência na arte política.

Vamos abrir o discurso para a lógica: eu tenho mil filmes disputando a lista entre os indicados. Apenas cinco poderão ser escolhidos. Os cinco imediatamente abaixo destes cinco ficarão de fora. Pelas novas regras esses cinco também entrariam pelo tapete vermelho, e com isso, de acordo com o resto da divulgação, aumentaria a representatividade para o prêmio principal da noite. Essa palavra, diversidade, vale lembrar, atualmente quer dizer indicar não apenas homens héteros brancos, mas também mulheres e homens de todas as cores, sexualidade e planeta.

Bom, essa conta não vai fechar. Não existem apenas dez tipos combinados de gênero, cor e sexualidade (e planeta) para que todos estejam de fato representados na premiação. Se já não é suficiente entre os cinco mais votados, qual a mágica estatística que reza que os dez primeiros o serão suficientes? Vou repetir com outras palavras e deixar a pergunta no ar: se os cinco indicados de hoje são de homens héteros brancos por que os cinco imediatamente abaixo na colocação serão com gêneros, cores e sexualidade diversos?

Se você é de humanas não precisa responder, mas continue levantando suas bandeiras para outro canto.

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