Paixão Selvagem

Esse é um dos primeiros filmes que vi no Noitão Belas Artes. Talvez tenha sido o primeiro evento deles. O tema: paixões avassaladoras.

O filme é um marco em trabalhos trash. Praticamente um Almodóvar em francês. A história: um gay se apaixona por uma gamine de beira de estrada e não consegue enfiar no cuzinho dela porque todos os hotéis reclamam que ela grita muito.

Esta é uma declaração de amor ao sujo, ao errado, ao tosco. É linda tamanha dedicação ao cinema independente, às histórias politicamente incorretas. Hoje seria proibido. Há um diálogo entre um gay e um negro e um xinga o outro. Há um baile onde acontecem sessões de stripteasing forçado e com zero sensualidade. O dono da hamburgueria é um grosso e vive peidando ("é o champanhe!"). Há um sentimento marginal que começa com um caminhão que carrega lixo, roupas usadas, bacias sanitárias e bidês, e o último refúgio de um casal de apaixonados em seu momento mais íntimo: o sexo anal mais barulhento, mais sensual e mais cafona que você verá em uma telona.

Duas músicas principais, econômicas, são usadas para os dois casais desse triângulo amoroso. Ambas são inesquecíveis. A paixão e o seguro. A paixão é o idealizado impossível. O seguro é a vida arriscada dos comprometidos.

Com uma participação minúscula de Gerard Depardieu dizendo que tem um pinto enorme que já causou problemas na polícia. Ele sai de cena acariciando seu cavalo. Já se convenceu e foi assistir?

Wanderley Caloni, 2021-07-24 22:25:45 -0300

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