Para Sempre Alice

Wanderley Caloni, escrito para Cinemaqui, 2015-02-14

No decorrer do filme esqueci completamente de Julianne Moore. Sim, é claro que a atriz estava ali, e não é difícil capturar seus trejeitos característicos. Porém, determinada em criar uma personagem unidimensional que representasse a espécie humana como seres individuais e efêmeros, apenas Alice existia, e deixava de existir, assim como cada um de nós. A diferença entre nós e Alice simplesmente é o ritmo. Todos nós iremos nos extinguir. Nossas memórias, pensamentos, sentimentos e aquele "algo a mais" que podemos ou não acreditar irão evaporar em átomos que não conterão sequer uma pista do que foram no passado: aquele ser orgânico dotado de consciência e raciocício só existiu por um momento.
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