Pauline na Praia

2020-05-19

Woody Allen em francês e sem restrição de idade. Pauline é uma ninfeta com seus catorze, dezesseis anos no máximo, mas carece de curvas que a apresente aos homens do filme, mais velhos. Três faixas de idade criam tensão em um filme onde a ninfeta irá aprender as mazelas do amor, e como as emoções humanas simplesmente mascaram nossas contradições internas, movidas por desejos mais intrínsecos de nossa própria formação como indivíduos.

Sua prima mais velha a leva para a praia. Com uma lascívia apenas encontrada em mulheres que acabaram de se divorciar de um peso morto, ela encontra seu antigo amigo de antes do casamento e os dois estão bem, psicologicamente e fisicamente. Mas entra na jogada um tiozão mais boa pinta, que conquista pela postura, e mais uma vez o amigo se vê obrigado a se manter na famigerada e temida Friendzone. Contra a vontade, é claro, pois ele já se declarou inúmeras vezes.

Há muitos desentendimentos e relações assimétricas em Pauline na Praia, e tudo é delicioso de acompanhar. São situações dinâmicas, que parecem possuir mais diálogo do que o necessário quando na verdade é exatamente o que precisamos para extrair o máximo de cada personalidade. Rohmer faz aqui um dos seus melhores trabalhos como diretor e roteirista, pois o resultado é incompleto, ambíguo, trágico, cômico e irônico. Tal como a vida humana. É um filme difícil de desvendar como obra cinematográfica porque não é assim que deve ser feita sua leitura. Apesar do intricado jogo do roteiro as emoções humanas no filme estão mais para poesia incompleta. E por ser incompleta, mais humana, mais profunda.

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