Ponteiros de método: conceito fundamental

Diferente de ponteiros de função globais ou estáticas, que são a grosso modo ponteiros como qualquer um, os ponteiros de método possuem uma semântica toda especial que costuma intimidar até quem está acostumado com a aritmética de ponteiros avançada. Não é pra menos: é praticamente uma definição à parte, com algumas limitações e que deixa a desejar os quase sempre criativos programadores da linguagem, que vira e mexe estão pedindo mudanças no C++0x.

Três regras iniciais que devem ser consideradas para usarmos ponteiros para métodos são:

Visto isso, passemos a um exemplo simples, um chamador de métodos aleatórios, que ilustra o princípio básico de utilização:

#include <iostream>
#include <time.h>

class Rand;

typedef void (Rand::*FP)();

class Rand
{
  public:
    Rand()
    {
      srand(time(NULL));
    }

    FP GiveMeFunc()
    {
      return m_funcs[rand() % 3];
    }

  private:
    void FuncOne()   { std::cout << "One!\n"; }
    void FuncTwo()   { std::cout << "Two!\n"; }
    void FuncThree() { std::cout << "Three!\n"; }

    static FP m_funcs[3];
};

FP Rand::m_funcs[3] = { &FuncOne, &FuncTwo, &FuncThree };

void passThrough(FP fp)
{
  Rand r;
  ( r.*fp )(); // <<-- this
}

/** No princípio Deus disse:
  'int main!'
 */
int main()
{
  Rand r;
  FP fp;

  fp = r.GiveMeFunc();
  passThrough(fp);
}

Como podemos ver, para o typedef de ponteiros de método é necessário especificar o escopo da classe. Com isso o compilador já sabe que só poderá aceitar endereços de métodos pertencentes à mesma classe com o mesmo protótipo. Na hora de atribuir, usamos o operador de endereço e o nome do método (com escopo, se estivermos fora da classe). É importante notar que, diferente de ponteiros de função, o operador de endereço é obrigatório. Do contrário:

error C4867: 'Rand::FuncOne': function call 
missing argument list; use '&Rand::FuncOne' 
to create a pointer to member

E, por fim, a chamada. Como é a chamada de um método, é quase intuitiva a necessidade de um objeto para chamá-la. Do contrário não teríamos um this para alterar o objeto em qualquer método não-estático, certo? Daí a necessidade do padrão C++ especificar dois operadores especialistas para esse fim, construídos a partir da combinação de operadores já existentes em C:

Rand r;
Rand* pr = &r;

// [obj] .* [method ptr]
( r.*pMethod )();

// [obj ptr] ->* [method ptr] 
( pr->*pMethod )();

Esses operadores obrigam o programador a sempre ter um objeto e um ponteiro. Daí não tem como errar. Infelizmente, devido à ordem de precedência, temos que colocar os parênteses em torno da expressão para chamar o método. Pelo menos fica equivalente ao que precisávamos fazer antes da padronização da linguagem C.

Wanderley Caloni, 2007-11-05 00:00:00 +0000

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