Pretérito Perfeito

2020-05-13

Filme de diretor millennial sobre puteiro carioca icônico, visto por ele como peça de museu. Um local “cultural”. Gustavo Pizzi não sabe de nada da vida e não consegue sequer boas tomadas, boa edição e muito menos uma história. Ele consegue alguns frequentadores antigos para dar seu depoimento, mas não aproveita o tempo deles para contar algo que preste. É um documentário feito para TV, ou seja, para ninguém que esteja prestando atenção.

Desses projetos encomendados para desviar verba pública em prol de estudante de artes que usam a câmera como vídeo-clipe caseiro, a edição, também de Pizzi, é cheia de efeitos de distorção, que combinam com uma trilha incidental apagada, desprovida de qualquer personalidade, para disfarçar a péssima qualidade da captação de luz noturna. O filme em si, a “película”, ficou horrível. Sem história nem técnica muito menos estilo, é surpreendente que tenham levado adiante na pós-produção e lançado como um DVD. Até o título do filme é pretencioso e vago ao mesmo tempo. Um exemplo de tudo que pode dar errado no cinema quando o dinheiro vem fácil. Nesse caso pelo menos deve ter saído barato.

Os entrevistados, muito mais velhos e experientes que o cineasta, dominam a situação o tempo todo. É vergonha alheia assistir um documentarista sem a mínima ideia do trabalho que ele conduz. Qual o objetivo do filme? Até onde pode-se tentar deduzir, bosta nenhuma. É isso o que acontece quando a mesma ideia sem reflexão é martelada na cabeça dos jovens: cultura é importante. Mas o que é cultura? Isso ninguém sabe responder, ou a resposta é: dar dinheiro de todos para reformar e manter um prédio que foi um histórico puteiro de políticos e marinheiros do Rio de Janeiro nas décadas de 30 a 90.

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