Pudim

Não é fácil acertar um pudim. Requer certa paciência e atenção. O erro é achar que é fácil.

Minha primeira tentativa de fazer pudim há alguns meses deu muito certo. Minha próxima tentativa foi essa semana, mas não havia anotado nada da primeira experiência bem sucedida. Então vamos lá.

A ideia aqui era fazer um pudim de doce de leite argentino com sabor de café. Isso mesmo, já vou começar mudando todos os ingredientes. Me deseje sorte. Desejou? Spoiler: não deu certo.

A primeira coisa que fiz foi café. Descafeinado. Fiz e congelei no freezer. Estava lá há algumas semanas. Desde o ano passado. Agora é a hora do pudim.

Peguei um pote médio de doce de leite argentino da La Sereníssima (relativamente fácil de achar por aqui) e joguei no liquidificador. Enchi de leite. Joguei no liquidificador. Joguei 4 ovos. E comecei a bater. E a bater. E a bater. Bata bastante para não ficar cheiro de ovo.

Joguei junto o café. Deixei um pouco para a calda. Péssima ideia.

A calda se faz com caramelo. O caramelo se faz com açúcar e água. Só misturar um pouco na forma do pudim e ligar o fogo até a consistência estar menos líquida do que quando começou e levemente marrom. Sim, são instruções vagas porque não é fácil. É uma arte.

Usando café no lugar da água você perde a morenação e fica só com a observação da textura. Pior: nem isso. O café deixou a mistura espumando, e eu tive que ficar mexendo para enxergar direito. E quando você mexe uma solução dessas corre o risco de açucarar, que é o açúcar juntar em pelotas e virar um doce. Doce de café. Foi o que eu fiz.

Desisti da calda. Fiz outra com água, mesmo. No limite do aceitável.

Calda feita, jogue o que está no liquidificador na forma, feche com papel alumínio e coloque em uma forma maior com água dentro. Vamos assar em banho maria até mais ou menos uma hora em fogo baixo.

Não se vá. Com 30 minutos de forno dá aquela abridinha esperta e note a consistência, se está mais ou menos líquido. Uma pequena vibração com as mãos pode te revelar.

Se estiver menos líquido é hora de espetar um palito de dentes até o final e tirar, entre as bordas. Se o palito não sujar está pronto. Pode tirar do forno. É um processo delicado, então muita atenção nesse momento, pois isso irá definir a textura final do seu pudim no dia seguinte.

Espera, você disse dia seguinte? Sim! Eu comentei que precisa de paciência para fazer essa receita, né? Então.

Ao tirar do forno não tire o papel alumínio até desenformar amanhã. A forma irá passar a noite assim na geladeira, mas antes ela precisa primeiro esfriar por completo.

No dia seguinte não tem segredo: passa uma faca nas bordas e gire a forma para ver se o pudim se destacou. Se não esquentar do lado de fora da forma esfregando rapidamente suas mãos ajuda. Depois que soltar coloque um prato na boca da forma e vire.

Essa minha primeira tentativa de pudim-café deu certo no sabor, mas deu ruim na textura. Ficou seco. Não tive essa atenção ao assado que a receita merece.

Mas agora estou anotando para a próxima tentativa ;)

Wanderley Caloni, 2022-01-22 23:45:28 -0300

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