Quanto mais Quente Melhor

Wanderley Caloni, 2020-04-18

Marilyn Monroe era bojudinha. Não quero dizer gorda. Bojudinha, mesmo. Não é aquele corpo magricela das mulheres de hoje idealizadas como o modelo de mulher forte, independente e sem graça. Monroe é ela mesma, o que incluir não ser muito boa atriz. Mas tem um certo carisma. E curvas. Imperfeitas, mas, graças a Deus, curvas.

Jack Lemmon, como sempre, tem seus momentos brilhantes. Em exatos cinco segundos ele consegue transformar uma cena manjada em um espetáculo de expressões. É inacreditável como uma piada espontânea surge do nada, sem falas para suportá-la. Não é quando, disfarçado de mulher, ele diz que vai se casar com um milionário velho, mas o jeito que ele diz. Sua áurea é cômica. Quando Lemmon está em seu melhor é a sua alma que fala no lugar do roteiro.

Esta comédia de Billy Wilder mistura ação, gângsters e música, mas não consegue fugir dos diálogos como base. Não envelheceu bem. É simpática no melhor dos casos. Um pouco longa demais, como Irma la Dulce. Mas trabalhos posteriores de Wilder na direção e roteiro, Se Meu Apartamento Falasse, já demonstram mais maturidade em seus personagens. A comédia escrachada, quando não é conduzia por Buster Keaton ou Charlie Chaplin, tem prazo de validade.

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