Quero Matar Meu Chefe

2011-08-17

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Muitas pessoas com certeza rirão das piadas sobre trabalho, sexo e racismo de Quero Matar Meu Chefe, tradução não-literal de Horrible Bosses (Chefes Horríveis, o que não melhora muito as coisas). Novo trabalho de Seth Gordon (Surpresas do Amor e umas pontas em The Office e Community), o longa reúne mais talentos cômicos do que supostamente ele conseguirá no resto de sua vida como diretor.

O filme inicia com três narradores oniscientes, Hick (Bateman), Kurt (Sudeikis) e Dale (Day), que assim que terminam a introdução são descartados, e passamos a acompanhá-los pelo quarto narrador (a câmera). Vivendo momentos sufocantes no trabalho devido a cada um de seus insuportáveis chefes, que eventualmente abusam de seu poder, os três rapazes resolvem solucionar seus problemas através da única maneira plausível: exterminando seus superiores, afim de ter um pouco de paz em suas insuportáveis vidas.

O roteiro desenvolvido por Michael Markowitz e John Francis Daley comprova que a experiência dos dois na TV acabou por viciá-los em histórias episódicas que são reunidas por pouco mais que um argumento inicial. O fato é que as piadas desenvolvidas por eles funcionam na maior parte do tempo, e, graças ao simpático grupo de comediantes, acabam se transformando em inconsequentes risadas.

Não que a narrativa seja inteligente por si só. Apelando muitas vezes para comportamentos ilógicos de muitos personagens (como o presidente da companhia que diz para onde vai o salário do cargo que pegou para si), acompanhamos a trama aos trancos e barrancos, sempre ajudados pelos rostos conhecidos que acabam por conduzir-nos da maneira menos dolorosa possível.

Seguindo esse ritmo de gags sobre gags, conseguimos acompanhar as cada vez mais absurdas situações que o trio de amigos acaba se colocando, e a impressão que fica é que a única forma da narrativa conseguir “crescer” é aumentando cada vez mais os absurdos.

Enfim, chega um momento em que as piadas não bastam mais e o terceiro ato atravessa inevitavelmente pela peneira da lógica completamente destroçado. Não é preciso dizer que à essa altura nada muito genial era esperado, de forma que o resultado ficou bem ao nível de toda a “trama”.

Após esse exercício de futilidade que poderia muito bem passar no sábado à noite, tudo que temos a fazer é sair da sessão e esperar pelo melhor para esse grupo de atores talentosos que acabou se metendo em uma Cilada.com.

link cinema draft movies