Românticos Anônimos

2012-01-04

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Como bom tímido que fui (sou?) posso com autoridade dizer que Românticos Anônimos ao mesmo tempo que permite nos identificarmos com o casal protagonizado por dois tímidos irremediáveis também nos permite identificar as diferenças peculiares de cada um, evitando assim estereotipar mas manter-se engraçado e terno.

O problema mesmo é a falta de ambição em contar a história de Angélique Delange (Isabelle Carré, bela) e Jean-René Van Den Hudge (Benoît Poevoorde, angustiante em alguns momentos). Assim, não conhecemos muito o que levou ambos a se tornarem daquele jeito, tendo que contentar-nos com vagas lembranças do pai de Jean-René e uma cena pseudo-reveladora totalmente descartável entre Angélique e sua mãe. Mesmo assim, a dedicação dos atores e a beleza da direção de arte/fotografia, que aproveitam a falta de luz para representar nos cenários esse tom acanhado, mas que ao mesmo tempo tem um tom poético (ou romântico), faz com que a experiência de acompanhar a vida de ambos seja não necessariamente fascinante, mas cativante pelas situações que ambos têm que enfrentar.

Porém, e mais uma vez voltando ao roteiro, as cartas são jogadas de maneira quase gratuita, sendo que nos primeiros 15 minutos de filme já é possível traçar quase todo o trajeto que ambos irão seguir durante o resto da história, faltando apenas acompanhá-los. Embora ambos tenham visíveis problemas de relacionamento, mesmo assim a sensação geral é que tudo acaba se acertando e que não existe um mínimo conflito que nos dê a sensação de incerteza, como acontece todo o tempo, por exemplo, em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

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