Romeu + Julieta

2019-07-28 · 2 · 402

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Leonardo Di Caprio e Claire Danes se beijam muito nessa adaptação cinematográfica de Shakespeare que faz cair a ficha do que era esta peça na época do dramaturgo: um romance adolescente que desperta as rixas de duas tradicionais famílias.

Para filmar Romeu e Julieta nos tempos atuais várias boas ideias são utilizadas: os jovens das famílias são como gangues de rua, que andam com carros cuja placa possui as iniciais da família e portam armas cujo modelo se chama “Espada” (o que evita a atualização nos diálogos quinhentistas onde eles sacavam suas espadas); a rivalidade existe como empresas concorrentes e a cidade italiana onde se passa a história nesta versão americana é uma cidade litorânea. Enfim, o diretor Baz Luhrmann está aplicando boas ideias aqui para tornar uma peça de teatro de quinhentos anos de idade algo apelativo para o público do Cinema hoje em dia (anos 90).

Porém, nem tudo são flores. Luhrmann, acostumado com a linguagem do video-clipe, utiliza tantas trucagens na edição e na estética que o resultado acaba ficando exagerado ao ponto em que a dramaticidade do texto shakespeariano, mantido, perde um pouco de peso por conta da vulgaridade audiovisual do resultado frenético idealizado pelo diretor.

Há cortes e movimentos de câmera que nos faz lembrar da modernidade ao mesmo tempo que o caráter implacável de uma cidade grande nos dias de hoje, especialmente na periferia, mas ao mesmo tempo nem todas as analogias se encaixam, como a figura do oficial de polícia, que além de policial é juiz e praticamente um conselheiro da cidade. É ele que bane Romeu da cidade como punição por este ter cometido um crime.

Estamos nos anos 90, época de filmes realmente frenéticos, Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, trabalhos europeus frenéticos como Corra, Lola, Corra ou até blockbusters como Missão: Impossível II; e cineastas que começam com tudo e aos poucos vão se tornando sóbrios (David Fincher, Michael Bay… não, este não). Baz Luhrmann é desses cineastas que nos anos 2000 já se controla melhor.

Mas aqui ele está no caminho da farofa, e Romeu+Julieta fica muito próximo de ser muito ruim, mas o peso dramático de sua história e dos diálogos originais consegue salvar o dia. Ainda hoje é um filme a ser comemorado, que embora não seja um grande filme, arrisca muito para ser relevante. E, acredite, amigos, este romancezinho adolescente sobre amor e ódio ainda hoje é relevante.

Romeo + Juliet (United States, Mexico, Australia, 1996). Dirigido por Baz Luhrmann. Escrito por William Shakespeare, Craig Pearce, Baz Luhrmann. Com Leonardo DiCaprio, Claire Danes, John Leguizamo, Harold Perrineau, Pete Postlethwaite, Paul Sorvino. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·