Sherlock: A Scandal in Belgravia

Wanderley Caloni, 2020-11-22.

Um dos melhores episódios da série é o primeiro da segunda temporada, A Scandal in Belgravia. Ele estabelece uma intrincada rede de personagens que crescem dentro de uma trama que envolve a continuação da temporada anterior nos seus últimos momentos após termos sido apresentados a Jim Moriarty e a emenda com Irene Adler, uma dominatrix que impressiona menos pelo sexo e mais pelo seu uso político. E por falar em política há uma participação maior do Reino Unido e outros governos em torno dessa mulher com um chicote que torna a história ainda mais picante.

O melhor de tudo é a forma com que a série não nos deixa parar de se aprofundar em cada nuance e detalhe que se une. E como eu sempre digo a respeito dela, produção, roteiro, direção e arte vão evoluindo juntos, nunca estagnados na mesmice de uma série. Note como a investigação do caso que ocorre ao lado de um lago recebe um tratamento experimental em que Sherlock e Adler revisitam a cena do crime mentalmente. É clichê hoje em dia, mas a série não chama atenção para isso.

Por outro lado, o mais fascinante deste episódio é como as coisas se encaixam sem sequer conseguirmos acompanhar o porquê. Quando ocorre as fichas vão caindo, mas até lá existe um estado de suspensão de reviravoltas que só tende a aumentar e a ficar mais dramático e empolgante e extasiante. É demais para o público comum. Aqui a série definitivamente adota seu público-alvo, espectadores pensantes, e inevitavelmente abandona os que não conseguirem ter afinidade com esses embates racionais que esgotam o cérebro. São tantos detalhes em Sherlock que ele pode ser revisitado várias e várias vezes, mas este não é um estudo clínico e irei me limitar a dizer que ele é tudo o que procuro em séries de TV para continuar assistindo: vida inteligente do outro lado da tela.

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