Sid & Nancy, o Amor Mata

Wanderley Caloni, 2020-04-22

Todo o clima insano, niilista, absurdo e depressivo do movimento punk da época dos Sex Pistols você confere neste filme sobre o baixista da banda e sua amada. Esta é uma biografia maior que suas partes, pois a sociedade vista por estas pessoas se reflete no filme e na forma com que seus heróis se enxergam.

As músicas expressam esse clima regado a drogas e vivendo no limite. Não há nada de bonito na cabeça dessas pessoas, e é exatamente isso que gera as mini-obras de arte neste filme, como a sequência de vídeo-clipe, absurda, horrenda e fantástica. Os maiores poetas são os que sofreram mais.

A direção de Alex Cox nos entrega uma imersão real e imediata, nos acompanhando com a câmera na mão pelos quartos e banheiros bagunçados e depressivos que esse casal frequentou. É como assistir a um documentário repulsivo e não conseguir virar a cara porque é tão viciante quanto as toneladas de drogas que eles ingerem. É real sem ressalvas ou proteção dos seus protagonistas. Eles foram usados e malhados como Judas em um filme que não torna o vício empolgante, nem bom, mas apenas parte da vida. Pelo menos de algumas.

Sem julgar nem proteger o conteúdo biográfico por trás da carreira de Sid Vicius, a entrega de Gary Oldman e de Chloe Webb é completa. O casal principal sai das telas para popular nosso imaginário. A atuação de ambos trabalha em uníssono, há uma simbiose inatacável, por mais moralista que você seja. A vida deles é bela, curta e miserável. Eles têm um ao outro e precisam se matar para fugir dessa vida.

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