The Housemaid

O longa possui algumas reviravoltas que podem soar esquisito à cultura ocidental, mas a base do drama, que são os acontecimentos macabros rodeando a honrada família do professor de piano, criam um clima, se não de tensão, definitivamente macabro e sexy.

Existe na literatura e no folclore em geral muito sobre o mito da viúva negra, por analogia ao comportamento reprodutivo dessa espécie de aranha. Cada um interpreta de uma forma. A forma visceral mostrada aqui por Ki-young Kim espanta pelo erotismo crescente, mesmo que não existam muitas cenas “picantes. O que vemos, na verdade, é um flerte muito bem construído entre vida e morte, entre ascenção e decadência (mais decadência).

Quando a empregada se veste de preto tudo começa a se acelerar em direção ao inevitável e trágico final. Visualmente essa construção une de forma inteligente o tom escuro da vestimenta da empregada e o completo contraste com o branco puro, inocente e servil da matriarca. Não existe meio termo. E Ki-young Kim não irá nos poupar de toda a maldade e egoísmo humano para demonstrar, de uma maneira um tanto hardcore, que é isso que nos faz humanos.

Wanderley Caloni, 2011-07-08

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