Time of Eve (Eve no jikan)

Uma direção bem pitoresca dessa série. Os movimentos da câmera tenta reproduzir os movimentos de cabeça que fazemos para desviar o olhar. E a visão é desse rapaz quase míope, de vista e de seus sentimentos. Mas, assim como sua andoide, ele está tentando.

Passando em um futuro próximo onde robôs e humanos convivem em uma relação serviçal e mestre, o grande trunfo de The Time of Eve é nos jogar nesse universo e nos fazer descobrir o impacto dessa mudança na rotina dos humanos. E também dos andróides, já que eles "nascem" sem um guia do que são. Apenas seguem ordens e as três leis da robótica sugeridas pelo autor sci-fi Isaac Asimov.

Mas algo sabemos desde o início. Se trata de um trabalho sobre preconceito e discriminação. É sensível e se revela aos poucos, e a graça é estar assistindo coberto dessa áurea de mistério. Enquanto isso acompanhamos a saga do garoto, enquanto ele descobre se é um fandroid, uma pessoa que trata andróides como humanos, ou apenas uma pessoa muito solitária.

A série brinca muito com metalinguagem. Em um episódio onde um robô antigo aparece eles brincam com o tom de Exterminador do Futuro. A visão da série tem sempre a perda de foco do garoto protagonista. A desorientação do espectador sobre como o mundo está mudando com os androides é o que faz a câmera não conseguir parar. A trilha sonora usa toques semelhantes a aplicativos de computador.

Esses garotos vão ao café-título em busca de respostas e servem de olhos e ouvidos para nós, espectadores curiosos e atentos. Cada novo episódio merece nossa total atenção, pois nenhuma informação é dada de graça. Se trata até aqui de um dos melhores trabalhos de sci-fi animado que eu já presenciei. É denso e não tem medo de sê-lo.

Que bosta de final. Todo o arco se desenvolvendo entre o garoto e sua robô serviçal é resolvido em duas falas e surge um outro arco completamente desvinculado do principal entre um robô ainda não apresentado e o segundo garoto. O Comitê de Ética é revelado apenas como um grupo de burocratas com motivações infantis de serem contra relacionamentos entre humanos e robôs. O pai do garoto encarna o pai de Evangelion. Praticamente nada funciona neste season finale. E robôs ainda choram. O espectador deveria poder chorar em cima dessas imagens se fingindo de tridimensionais sem o serem.

Wanderley Caloni, 2021-05-28

blog draft discuss