Tomates Verdes Fritos

2019-02-10 · 3 · 432

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Eu me lembro de ter visto esse filme com minha mãe após ter alugado um DVD na locadora. O que ficou na minha mente por décadas foi a ternura com que a história se desenvolvida. Este é um drama no sentido clássico do gênero. Ele tenta fazer um apanhado histórico nos dando apenas a voz dos oprimidos e seus salvadores. Ou seja, ele é completamente manipulador. Mas é tão tentador acreditar em uma realidade em que só existem opressores e oprimidos. Até hoje em dia tem gente que defende isso.

Kathy Bates está absolutamente entregue ao papel de dona de casa que se revolta ao ouvir sobre a história de uma sufragista na década de 30 nos EUA, em pleno domínio do patriarcado e a pós-escravidão e os problemas raciais do sul americano. Bates é nossos olhos, ouvidos e corações, atentos ao que a personagem de Jessica Tandy irá transpor em palavras e nós veremos em um pequeno épico. Tandy já esteve do outro lado da moeda no pequeno clássico com Morgam Freeman, [Conduzindo Miss Daisy[(/conduzindo-miss-daisy), e está tão confortável no papel que é difícil saber que ela realmente está com 82 anos durante as filmagens.

Este é um filme para todas as donas de casa da época e que deve ser visto por todas as mulheres como lembrete do que significa a liberdade, vinda com a responsabilidade de deixar o corpo em forma (sorry, femistas do “gordo que é belo”). Há muitas formas de fazer feminismo, mas este é o correto. Ele humaniza seus personagens, e embora transforme todo o resto em vilões carrancudos e míopes, a mensagem de esperança sempre fica um pouco acima.

A trilha sonora do evocativo Thomas Newman (é dele também a vergonha alheia de Histórias Cruzadas) é daquelas que vai querer te forçar a se emocionar. Não faça isso. A mensagem visual de cada momento da história em que há uma pausa é mais poderosa. O diretor Jon Avnet, que começa estreando no cinema com esse filme, nos entrega diversos planos muito mais inspirados, que constrõem a história sem necessidade de pieguices como essa. Que vergonha, Newman. Tentar diminuir uma história tão intensa.

Ainda que em alguns momentos o ritmo fique extraordinariamente lento e a cadência das cenas não nos permita desfrutar por completo um filme que vai te puxando cena a cena, Tomates Verdes Fritos possui tantos bons momentos que fica difícil não defendê-lo como um exemplo de Cinema. É um romance transcrito para a telona sem vergonha de ser feliz. É piegas, é feminino, mas possui um coração ligeiramente acima de nós, reles mortais.

Fried Green Tomatoes (United States, 1991). Dirigido por Jon Avnet. Escrito por Fannie Flagg, Carol Sobieski. Com Kathy Bates, Mary Stuart Masterson, Mary-Louise Parker, Jessica Tandy, Cicely Tyson, Chris O'Donnell. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·