Tomboy

2012-01-15

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Tomboy de início possui uma inusitada premissa: narrar a vida e as dificuldades de Laure, uma garota que, andrógina, possui a aparência de menino. Focando-se nisso de maneira sutil, ainda que nos deixe perceber as intenções e pensamentos da jovem Laure, ainda que sem diálogos, o filme faz questão de sempre nos fornecer aconchego externo, de forma que nunca nos sentimos realmente desamparados pela condição da garota, que possui pais compreensivos e atenciosos, além de uma adorável irmã mais nova.

Nos mostramos naturalmente curiosos pelo seu dia-a-dia e, em maior grau, tensos, pois ela decide se fingir de menino para os garotos da vizinhança, o que a coloca em diversas situações onde seu disfarce poderia ser descoberto. Sabemos que ela é tímida (talvez pela sua condição) e sensível, mas ao mesmo tempo flexível. Isso, porém, sem muitos diálogos, pois ela evita falar. No entanto, a direção competente de Céline Sciamma (que também assina o roteiro) consegue nos fazer pensar através de Laure, o que praticamente serve de cumplicidade silenciosa com o espectador. Além do mais, a participação adorável de sua irmã Jeanne faz um contrapeso necessário.

Nunca impressionando ou indo fundo demais nos questionamentos filosóficos da história, a abordagem água-com-açúcar pelo menos consegue transpor a realidade da menina e nos mostrar, ainda que sutilmente, como é difícil em nossa sociedade nos lançarmos a sermos nós mesmo e impedir que a pressão da maioria exerça uma maior influência sobre nossa personalidade. Se essa for a maior lição que Tomboy consegue extrair, já seria, de longe, algo interessante de se pensar a respeito.

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