Tron: o Legado

2018-05-14 · 3 · 519

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

O universo redescoberto pela Disney nesta continuação da saga Tron, que revolucionou em sua época os filmes feitos por computador, demonstra aqui todo o potencial do CGI em um universo não apenas construído essencialmente por computadores, mas rodando dentro de um. Como cult dos anos 80, que revolucionou a computação gráfica na época. Hoje, o uso de televisores 3D e a câmera indo em foco da imagem 2D de um deles pode ser considerada a única revolução desse filme.

Além de Olivia Wilde, obviamente, ter curvas lindas, apreciadas de uma maneira melhor ao melhor estilo 3D com trilha musical de Daft Punk, a aventura Disney conta mais com a apresentação desse mundo, provavelmente já de olho em continuações, jogos, etc, do que com uma história minimamente interessante. Se trata do velho plot do filho que perde o pai quando pequeno, vive à sua sombra, um pouco revoltado (revoltado estilo bilionário que quer dar sua propriedade intelectual de graça) e que demonstra estar pronto para ser digitalizado e sobreviver em um mundo de jogos onde o game over é sua própria vida.

Deixe-me explicar o que a trilha sonora de Daft Punk significa neste filme. Ela é visceral, parte integrante e protagonista do começo ao fim. Ela representa tudo o que sabemos até hoje dessa cultura de video-games, de música techno e de hits temporários, repetitivos e sem sentido. É nosso niilismo popularizado em notas digitais que são compostas cada vez mais com a ajuda de um computador. Estar vivenciando uma experiência em um mundo digital ouvindo uma música percursiva dessas é como um deleite extrasensorial. A sua tensão combinada com a eternidade do dia (não há dia e noite no mundo digital) e a efemeridade da existência (programas podem ser destruídos em questão de segundos) colocam este filme muito acima do que ele mereceria com sua narrativa preguiçosa e arrastada.

A presença de Jeff Bridges no projeto traz um pouco de nostalgia e uma curiosidade. Bridges se tornou um ator muito mais interessante com o passar dos anos. Ele foi um achado no Tron original, mas aqui ele parece uma participação de luxo. Porém, o protagonista de O Grande Lebowski se joga aqui como no automático, e embora sua dicção emotiva e sua postura pertinente em defender seu mundo e sua visão pessimista sobre seu destino, ou em dizer falas ligeiramente embaraçosas torne-as superiores ao roteiro, a decepção bate mais forte que o encantamento.

“Tron: O Legado” não se tornou um hit da Disney assim como John Carter, Príncipe da Pérsia e tantas outras apostas furadas que a produtora fez em uma má época de lançamentos. Ela é uma das poucas produtoras que pode se dar ao luxo de gastar seus milhões obtidos em royalties com filmes da Pixar e suas centenárias animações que ainda (tentam) encantar crianças em todo o mundo e vender princesas em todos os seus formatos. Mas em Tron o objetivo era um pouco mais dark, e não foi nenhuma surpresa constatar que os limites sonhadores da produtora politicamente correta foi extremamente inadequado para o voo digital que Tron deveria fazer em seu segundo filme.

TRON: Legacy (United States, 2010). Dirigido por Joseph Kosinski. Escrito por Edward Kitsis, Adam Horowitz, Brian Klugman. Com Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Bruce Boxleitner, James Frain, Beau Garrett. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·