Um Amor, Mil Casamentos

Wanderley Caloni, 2020-04-20.

O pior dos problemas em filmes feitos para streaming é pior do que sua mediocridade, mas não se importarem nem um pouco. Esta é uma produção baixo orçamento encomendada pela Netflix. O filme é todo rodado em uma casa de eventos supostamente italiana (eles estão na Itália), então o custo de filmar é o mesmo de alugar o local para algumas festas de casamento que equivalem aos dias de filmagens. Mais impostos e voos do elenco inglês para este lugar. A hospedagem sai "de graça", às custas de duas horas de cada espectador.

Seu diretor é Dean Craig, mais acostumado a escrever roteiros e que aparentemente não aprendeu nada na direção. Mas, quem se importa, ele conseguiu seu emprego de gerente de produção. Muitos estão conseguindo agora. Tudo que ele precisa fazer é escolher qual fórmula já pré-aprovada de histórias de amor vai usar e mudar alguns diálogos e situações. O filme se dirige praticamente sozinho.

A fórmula que ele escolheu, aliás, é a minha favorita, pois consigo fazer outras coisas enquanto assisto. Escrever emails, jogar xadrez. Assistir outro filme como esse em paralelo. As possibilidades são infinitas. Algo parecido com o que a narradora em off, pobre Penny Ryder, entitulada no IMDB como "O Oráculo" (risos tristonhos), fala no começo e durante alguns embaraçoso momentos no meio da história em que tenta dar alguma moral ou explicar coisas da vida que ninguém perguntou. É uma lástima travestida de filme feito para puro entretenimento. Mais duas horas entregues ao público de sofá.

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