Um Dia Muito Especial

2010-12-20

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Um drama de um relacionamento de um dia entre uma dona-de-casa e seu vizinho homossexual que mostra de diversas formas como a Itália fascista estava se transformando. O dia em questão calha com a visita de Hitler à Roma. O filme conta com Sophia Loren e Marcelo Mastroiana nos papéis principais, e é dirigido por Ecolla.

O filme inicia com um daqueles filmes políticos que passavam nos cinemas na época apresentando a visita de Hitler à Itália. Usando expressões que aos poucos denunciam o pensamento da sociedade da época, como a “majestosa simplicidade” com que o Fuher será recebido, ou a “doçura viril” de determinada pessoa, o prólogo em preto e branco nos dá a exata sensação do que seria viver naquela época, assistir filmes naquela época.

Há um corte brusco para o vermelho, uma bandeira nazista. A câmera sobe aos poucos mostrando mais bandeiras sendo hasteadas. No próximo corte temos uma câmera que entra dentro de uma das casas do condomínio, e através de uma arquitetadíssima e longa sequência somos apresentados à dona-de-casa que lá reside e vai acordando em cada cômodo a família. É como se fôssemos uma visita indiscreta a passear pela casa inteira.

Aos poucos o comportamento das pessoas reflete a mesma época que vimos no vídeo inicial, como críticas pesadas à masturbação (“você vai ficar cego assim”) ou o uso de estrangeirismos.

O diretor gosta de navegar a câmera da forma mais eficiente possível, como na cena em que ele está no telefone e, durante a conversa, a câmera dá um giro por trás dele, denunciando ao fundo a mulher na janela do apartamento à frente, ou quanto em um diálogo na casa deste, a mulher fica à frente da câmera e ele está parado no fundo à esquerda; conforme ela se move para a direita a câmera segue e para do lado dela e de um espelho, que reflete a mesma imagem dele (talvez uma interessante rima com o fato dele ser homossexual).

O sobrenome da família é colocado como placa na frente na porta. Não sei se é um aspecto cultural ou, ao mesmo tempo uma influência do próprio fascismo. Uma prática semelhante é seguida na Japão, se não me engano.

É significativo que a hora que os dois se juntam, sobre o terraço, a câmera foque debaixo de um coberto, e eles estão contra a luz; portanto, no escuro para a câmera.

Por muitas vezes ouvimos diálogos memoráveis, bons demais para estarem na boca de pessoas comuns, mas considerando que a maioria deles são pronunciadas por Mastroiani entendemos sua cultua mais sofisticada: “Um bom homem deve ser pai, marido e soldado; eu não sou nem marido, nem pai, nem soldado”, diz ele ao revelar sua homossexualidade.

O tapa que ela dá na face dele também é dado na mesma contraluz do terraço. E acompanhamos a descida pela escada deles por uma câmera de fora, que desliza pelos andares rapidamente.

Um corte preciso e orgânico; depois que ele prepara seu omelete, o vemos cortando no seu prato. Logo após esse corte o plano aumenta e vemos outro prato com outro omelete; ela está comendo ao seu lado.

A câmera sempre escolhe os melhores ângulos; quando ela avança a mão para cima dele na cena de sexo, por exemplo, a mão que faz isso é a que contém a aliança. Temos câmeras mostrando ele por baixo e ela por cima, com representações significativas de ambos, mais dele, pela sua experiência heterossexual.

link cinema draft movies