Um Pouco de Caos

Um Pouco de Caos é um passeio tranquilo, até demais, no mundo da aristocracia francesa (embora todos falem inglês sem cerimônias) para fazer-nos apreciar a atmosfera dominante do blasé frente aos que ainda precisam lutar para serem aceitos na alta sociedade. Durante o processo é tão óbvio que haverá um amor proibido que até isso se torna sem graça.

Dirigido por Alan Rickman -- o Professor Severus Snape da série Harry Potter -- depois de sua estreia na direção quase 20 anos atrás, é o primeiro filme em que ele também atua, como o Rei Luís XIV durante a construção dos jardins de Versalhes. O palácio, localizado longe do centro de Paris, suas doenças e seus pobres, contém uma coleção inigualável de jardins criados a mando do rei, e cujos projetos eram constantemente disputados pelos mais proeminentes paisagistas, especialmente os que seguem o guia moral de sua majestade: a perfeição da ordem.

A história, portanto, historicamente populada, envolve em seu centro as figuras de Sabine de Barra (Kate Winslet) como uma jardineira que defende o estilo levemente caótico de suas criações, e André Le Nôtre (Matthias Schoenaerts), o arquiteto-chefe de Luís XIV e que resolve "comprar a briga" em cima da aposta de que uma guinada mais original para o próximo jardim poderia significar mais fama e apoio do monarca. E, como já sabemos, para manter Madame de Barra por perto.

Para fechar com chave de ouro o triângulo amoroso de filmes de época, a esposa de Le Nôtre, Françoise (Helen McCrory), é a maçã podre do casamento, se veste de roxo e usa o seu poder de influência para impedir que seu marido avance o sinal nesse possível romance. Enquanto isso, Sabine sofre o trauma da morte de seu marido e filha, e tenta através de seus jardins se manter financeiramente.

Com um amplo espaço para simbolismos e filosofias envolvendo jardins e nobreza de uma França em uma época 100% absolutista, o roteiro escrito a seis mãos resolve contar uma história trivial com personagens triviais, deixando o espectador à espera da grande sacada que irá erguer os ânimos. Infelizmente, ela nunca acontece. O que acontece frequentemente, no entanto, é sermos inundados pela trilha sonora de Peter Gregson, com seus toques empolgados demais, totalmente em descompasso com o ritmo arrastado do filme.

Possuindo muito pouco dos seu elenco e menos ainda de sua história, Um Pouco de Caos ironicamente não possui nada de imprevisível ou surpreendente. É um passeio seguro pelos inúmeros jardins de uma época de ouro, onde os ricos podiam se dar ao luxo de planejar os inúmeros jardins, caminhar e dançar por eles.

Wanderley Caloni, escrito para ou com a ajuda de Cinemaqui, 2015-06-27 00:00:00 +0000

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