Uma Doce Mentira

Wanderley Caloni, 2020-09-06

Vivemos em tempos cínicos e desprovido de leveza. São tempos em que quando alguém encontra doces palavras de amor em letra de mão endereçadas a você o primeiro pensamento é que só pode ser obra de um velho tarado.

Essa comédia romântica se disfarça de drama. É o começo do fim da excelência francesa em fazer rir das situações do dia-a-dia. Audrey Tautou é a queridinha da França para o Mundo e tenta não repetir papéis e sai um pouco dos eixos. Aqui vive essa empresária e filha maquiavélica, que tenta consertar sua relação com a depressiva mãe, destruindo corações no processo; incluindo o seu próprio. E tudo isso é para nos fazer rir.

Todas as pessoas nesse filme acabam se tornando versões piores de si mesmas. Uma história cheia de detalhes como essa e com pouco jeito em conciliar as mudanças de humor e tom, Uma Doce Mentira é um vai e vem que perde a importância pela fricção exagerada de seus temas. Sem calibrar a humanidade em seus personagens o filme patina quase caindo em torno da pista formulaica de como deve ser uma comédia romântica francesa. Infelizmente os tempos são outros e se trata de uma produção tão hollywoodiana quanto as piores comroms da década de 90. Não nos apaixonamos em nenhum momento pelo seu discurso, e quando as pessoas ficam encrencadas... bom, cada um com seus problemas.

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