Uma Mulher é Uma Mulher

De repente você está em uma comédia musical francesa absurdista com os toques estranhos de contracultura de Goddard. Ame-o ou deixe-o, este filme é simpático. Não porque ele tenha algo a dizer ou faça sentido, mas porque ele é diferente de tudo o que costumamos ver na tela. Não é virtude do diretor, nem do roteiro. São coincidências da vida. Filmes do Goddard são meros acidentes da natureza. Não se pode atribuir autoria nem mérito, mas pode-se observar com curiosidade e até admiração.

A história é que essa menina é uma mulher que quer um filho. Ela viu no horóscopo e em um método científico que lhe diz que hoje é seu dia fértil. Então hoje é o dia e nada vai detê-la. Seu marido comunista que lê jornais comunistas acha absurdo. Vai entender. Ela é adorável e queria fazer parte de um musical, mas o máximo que conseguiu foi um filme francês dos anos 60 e dançar em uma boate de stripteasing. A tempo: há um ou outro peitinho, bem rápidos. Preste atenção.

Mas pedir pra prestar atenção em um filme do cineasta francês é pedir demais. Você devaneia no meio, volta em uma cena ou outra. Percebe algumas rimas e dá risada bem tímida. Os comentários do filme sobre cinema não são relevantes hoje em dia, mas a verdade é que continua acima da média. É entretenimento para a anti-burguesia. E é leve, tem música. E peitinhos.

Wanderley Caloni, 2021-08-12 22:19:11 -0300

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