Volcano

A Ucrânia pós-comunismo ainda tem uma lição ou duas a ensinar sobre como sociedades funcionam no Leste Europeu. Em Volcano ela coloca Lukas, um urbanoide civilizado, em contato com um ambiente hostil. Mas será mesmo hostil, ou estamos acostumados a pensar dentro da nossa caixa social que se organiza em presidente, ministros e o povo? Só o fato da estranheza do filme nos fazer pensar um pouco a respeito disso já é digno de nota.

Mas esta também é uma viagem interna de seu protagonista, onde ao encontrar o pitoresco Vova, interpretado por Viktor Zhdanov, Lukas, interpretado por Serhiy Stepansky, realiza o contraponto necessário para entendermos as diferenças na vida dos dois e o que os fez chegar onde chegaram.

A cidadezinha ao sul da Ucrânia é uma terra de ninguém e Lukas decide ficar por lá. Por quê? Talvez essa não seja a pergunta certa. Talvez a pergunta seja: por que não você? O que temos a perder nessa vida?

Primeira ficção do diretor Roman Bondarchuk, Volcano é um trabalho que nos capta pelo ritmo, pela cadência e pelo clima. Estamos em um ambiente onde as regras precisam ser aprendidas aos poucos, e isso dá ao espectador algo para pensar por boa parte do filme. E ao final do filme ainda há muito o que ser desvendado, mas as ferramentas são expostas o suficiente para a sobrevivência do herói.

O que mais fascina no filme é como ele consegue evitar diálogos desnecessários e passar para a observação pura e simples. E é através dessa observação que seus melhores momentos são forjados. Já seus piores momentos são as tentativas de colocar um pouco de ordem na história. Não precisamos de ordem. O que precisamos são pessoas que consigam pendurar a colher na testa.

Wanderley Caloni, escrito para Cinemaqui, 2018-10-28 00:00:00 +0000

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