Westworld S03 E01

Wanderley Caloni, 2020-04-28.

Não há muitos motivos por trás de quem deseja assistir à continuação de uma série como Westworld. Exceto a falta do que fazer, talvez. As ambições da série terminaram na primeira temporada e agora ela se estende pelas suas ideias que deixaram de ser filosoficamente ambiciosas e passaram a retroalimentar o sistema moralista vigente. A introdução do novo personagem da classe trabalhadora interpretado por Aaron Paul (ótimo casting) e a vida lá fora, com seus arranha-céus ecologicamente corretos, seriam motivo suficiente para assistirmos a mais uma temporada? Apenas pela computação? Esses jardim suspensos da Babilônia futuristas lembram e referenciam o império bizantino, tanto em seu esplendor quanto em sua grande derrocada, mas não há história no contorno desse fundo verde.

A filosofia original, com as ideias ambiciosas por trás da criação de uma inteligência artificial e suas implicações, fica para trás. A atual mal chega a arranhar as questões profundas sobre o destino dessa nova civilização a alcançar a singularidade, pois continua narrando o mundo futuro com ares de semana que vem, com carros autômatos e ausência de empregados humanos. Não se vê uma alma nas ruas que não seja a alta classe e os malandros e viciados, na maioria das vezes fazendo parte do mesmo grupo. A sutileza de não tornar isso uma bandeira, mas apenas a consequência natural do capitalismo acelerado pela tecnologia da informação do século 21, é um dos traços de respeito da série comandada por Jonathan Nolan e produzida por J. J. Abrams, mas apesar das sutilezas a produção não está fora dos nossos tempos.

Nessa sociedade com menos camadas temos a figura de um Aaron Paul ex-soldado de guerra (e qual guerra existiria com soldados humanos?) que perdeu seu companheiro, mas que perdeu principalmente o seu mundo ao voltar para um lar em lugar para ele. E Caleb andar sempre pelas esquinas e nas sombras é uma característica tão marcante quanto a personagem de Evan Rachel Wood, que usa preto em uma fotografia noturna furtiva assim como a ausência de decotes e formas e seu cabelo eternamente preso, sinal de sua nova fase.

Os personagens de Bernard, Tandy e a moça de Thor: Ragnarok (Tessa Thompson) se mantém na penumbra e nada prometem para o momento. Exceto, claro, novos arcos que devem se assimilar com a vinda de um outro personagem: o arquiteto das simulações. E é claro que aqui a referência óbvia é Matrix Reloaded.

Eu só não tenho certeza se gostaria de ver um Westworld Reloaded. A segunda temporada já tinha deixado um gosto insosso e artificial. Gosto de cartilha moralista reciclada.

series discuss