Why Facts Don't Change Our Minds

Você sabe como funciona um vaso sanitário? Tem certeza? Faça o experimento, então: descreva de maneira verbal todos os passos envolvidos no funcionamento de dar descarga em um vaso. Depois pesquise e verifique como ele realmente funciona. Compare a realidade com o seu achismo e exploda sua cabeça.

Mas não se preocupe, você não é o único. De acordo com inúmeras pesquisas desse artigo de Elizabeth Kolbert o ser humano dependeu dessa confiança cega no conhecimento do próximo para conseguir evoluir tão rapidamente desde a idade do bronze. Não era todo homo sapiens sapiens que precisava entender todo o mecanismo por trás da confecção de uma arma ou uma ferramenta rústica dos tempos primórdios. Muitos simplesmente confiavam no que lhe era dado pelo ambiente e sociedade onde vivia.

Até aí há uma grande coincidência em como a sociedade funciona hoje. Claro, se escalarmos nossa evolução ao infinito após a Revolução Industrial, já que praticamente o funcionamento de nada no mundo contemporâneo consegue ser explicado por apenas um ser humano. Pior ainda se ele tentar fazer ele mesmo. Veja a história do cara que tentou fazer seu próprio sanduíche. Ele deveria produzir todos os ingredientes envolvidos em sua produção. Ele demorou seis meses e gastou 1500 dólares no processo. Um mero sanduíche.

No entanto, o assunto do artigo não é esse. Ele parte disso para nos ensinar uma importante lição como lidamos com o conhecimento no mundo e a partir disso demonstra como nem em todas as áreas isso é algo benéfico. No quesito democracia, por exemplo, esse nosso viés é muito ruim, já que as decisões escolhidas por milhões de pessoas não impactam diretamente suas vidas, mas a decisão em si exige conhecimento de cada um. Isso quer dizer que todos os votantes ou apoiadores de qualquer ação de seus governos deveriam estar a par de todo o movimento geopolítico e econômico da atualidade.

Traduzindo isso na prática, uma intervenção americana na Ucrânia, por exemplo, para ter legitimidade de conhecimento da população, deve supor que todos ou a maioria dos habitantes está a par da situação política nesse país do Leste Europeu. Porém, quase ninguém sabe exatamente onde fica a Ucrânia. E pior: quando pedido aos entrevistados de uma pesquisa para apontar no mapa onde esse país fica, quanto mais distante dos EUA eles apontavam mais sua opinião era intervencionista. Coincidência?

Wanderley Caloni, 2019-02-03 00:00:00 +0000

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