Young Royals

Um trabalho bem sueco, com equipe sueca e casting sueco. Falado em sueco, inclusive. Sobre as idiossincrasias da realeza sueca em tempos de diversidade e discussões sociais.

Tudo começa quando um dos herdeiros do trono, o mais jovem, apronta em uma festa e precisa pedir desculpas em público para toda a nação. Internado em uma escola onde são vistos alunos de classes distintas e um pequeno abismo entre elas, o primeiro episódio da minissérie já pontua com precisão os temas que serão abordados durante sua história: a tensão política, juvenil e (portanto) sexual que se delineia entre aqueles representantes da explosão hormonal. Aristocratas, corporativistas e imigrantes serão vistos sob o ponto de vista de seus filhos. Suas relações no início da vida servirão de rima com a versão adulta.

A direção e edição hipnotiza porque é econômica como cinema. É uma mescla sutil entre a redundância da narrativa televisiva e a densidade audiovisual dos trabalhos cinematográficos que costumam começar e terminar em menos de duas horas. Não vem ao caso a duração, mas sim a maneira de contar uma história. Por ela fugir do esquema automático de apresentar personagens e situações com a burocracia de alguém que está apenas cumprindo seu trabalho merece um destaque mínimo.

Resta saber se o investimento nesse primeiro quarto de hora vale a pena no resto dos outros cinco quartos de hora. Eu acho que não. Há algo que falta no primeiro episódio. Uma provocação autêntica, por exemplo. Nós estamos assistindo a um conteúdo de produção e condução competente, sem dúvida, mas a competência por si só não é suficiente para trazer algo novo. É acima da média tecnicamente falando, mas artisticamente seu conteúdo está drenado da vida do cinema. Como a maioria, ou talvez todas, as produções de streaming. Não se pode investir em conteúdo polêmico. Ou a polêmica está sob o controle do status quo ou não é vendável, se torna chato para as audiências.

Wanderley Caloni, 2021-07-31 22:34:13 -0300

reviews draft series discuss