Zazie no Metrô

Esse filme absurdo e cartunesco é de Louis Malle, um dos precursores da Nouvelle Vague que era ignorado pela panelinha do Truffault, Godard e cia. Ele conta a história da pequena Zazie indo passar um final de semana com seu tio enquanto a mãe se diverte com o namorado. Tudo que Zazie quer em Paris é andar de metrô, mas eles estão de greve. Então ela parte para sua rica imaginação, onde as leis da física e do bom senso dão lugar a um dos filmes que mais investe energia em casa quadro e em cada gag, desde que esse arranque uma expressão de surpresa do espectador.

E ele arranca com certeza. E várias. O tom cartunesco pode ser visto hoje na maioria dos desenhos da época, como Tom e Jerry e Pica-Pau. Malle se deu bem em Hollywood, e não à toa. Diferente de seus colegas franceses sua dedicação é pela técnica e pelo cinema antes de esboçar um discurso político (claro que ele também ataca a burguesia, mas isso é chover no molhado e... até a burguesia ataca a burguesia; esses intelectuais não sabem o que colocar em uma crítica).

Comédia escrachada, é empolgante na maioria do tempo, mas sua bagunça cansa um pouco. As crianças devem ter adorado. As cores, o movimento, o absurdo. Eu adorei. Apenas já não tenho tanta energia assim, e o filme é uma viagem de montanha russa de uma hora e meia.

Wanderley Caloni, 2021-06-05

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