# História do Windows
Caloni, 2006-11-11 <computer> windows> draft> veryold [up] [copy]Estava mexendo em uns fontes antigos e no meio deles encontrei um breve relato histórico do sistema operacional Windows que escrevi em uma época distante, quando planejava manter um site sobre ele com um amigo. De acordo com o Source Safe, a última modificação foi feita em abril de 2002. Fora um adendo sobre o Vista e uns leves retoques, o texto se mantém o mesmo, tornando ele o artigo que menos me deu trabalho nesse 1 ano e meio de blog.
Tudo começou em 1981, quando chegou às lojas o primeiro IBM PC, uma poderosa máquina de 4.7mhz, 64(KB!) de RAM e um drive de disquete de 160KB. Já havia sido lançado em agosto o MS-DOS, sistema operacional encomendado pela IBM à empresa recém criada por Paul Allen e Bill Gates, a Microsoft Corporation. O DOS foi baseado num sistema básico anterior produzido pela Seattle Computer Products.
No mesmo ano uma empresa chamada Xerox pôs ao mundo uma estação de trabalho gráfica chamada Star. Do Star vieram os conceitos de janelas, ícones, e o uso de um hardware apontador de tela chamado de mouse. De lá foram tiradas, portanto, as principais idéias que moldaram a criação dos futuros sistemas operacionais que revolucionaram o conceito de interação computador/usuário, como o LISA, da Apple - que mais tarde também deu origem ao Macintosh - e o sistema gráfico da Microsoft chamado Windows.
Em novembro de 1983 a Microsoft Corporation anuncia oficialmente, no Plaza Hotel em Nova York, o Microsoft Windows, a próxima geração de sistemas operacionais que irá ter uma interface gráfica para o usuário (GUI) e ambiente multitarefa. É possível que o nome original do sistema tivesse sido Interface Manager se um dos gênios do departamento de marketing da Microsoft, Rowland Hanson, não tivesse convencido o fundador da empresa, Bill Gates, que Windows seria um nome melhor por ser mais intuitivo. A promessa inicial dizia que o sistema iria ser lançado em abril do próximo ano.
No início daquele ano, então, foi mostrada uma versão beta aos chefões da IBM, que não se mostraram muito entusiamados. Na verdade, a criadora do Personal Computer estava trabalhando num novo projeto que substituiria o sistema original da Microsoft, o MS-DOS.
Surgiram concorrentes potenciais do Microsoft Windows. VisiOn, da VisiCorp, foi a primeira GUI oficial lançada para PC. GEM (Graphics Environment Manager), lançada pela Digital Research no começo de 1983. No entanto ambos careciam do suporte de desenvolvedores para a plataforma. Ora, se ninguém quer fazer programas para um sistema, quem vai querer comprá-lo?
Um produto chamado Top View fora lançado pela IBM em fevereiro de 1985, baseado em DOS com um gerenciador multitarefa, mas sem uma GUI. Era lento e precisava de muita memória. Acabou sendo descontinuado dois anos depois e nunca chegou a ter uma interface gráfica.
Antes do lançamento do Windows, advogados da Apple alertavam sobre a possibilidade do sistema infringir os direitos e patentes que a empresa tinha sobre as características da sua interface gráfica, a LISA (janelas com barra de título, menus drop-downs, suporte a mouse, etc). Daí o fundador da Microsoft, Bill Gates, teve a idéia brilhante de firmar um contrato de licença com a Apple dando-lhe o direito de incluir em todas as futuras versões do Windows e programas os conceitos de GUI adquiridos pelo sistema gráfico da Apple (isso antes do Windows ser lançado).
Finalmente, em 20 de novembro de 1985, a Microsoft lança o Windows 1.0, quase dois anos depois da promessa inicial. Foi vendido inicialmente por U$100. Continha em seu pacote: MS-DOS Executive, Calendar, Cardfile, Notepad, Terminal, Calculator, Clock, Reversi, Control Panel, PIF (Program Information File) Editor, Print Spooler, Clipboard, RAMDrive, Windows Write e Windows Paint.
O novo sistema não fez muito sucesso de imediato. Pelo contrário, foi considerado lento e primitivo. Devido às limitações impostas pela Apple o sistema não pôde apresentar certas características como a sobreposição de janelas e a famosa lixeira (um conceito proprietário da Apple). Ficou cerca de dois anos boiando no mercado até que foi lançado um produto chamado Aldus PageMaker 1.0. PageMaker foi o primeiro programa WYSIWYG para o PC. Tinha a grande novidade de juntar tipos e gráficos no mesmo documento. Depois de um ano, a Microsoft lança uma planilha de cálculos chamada Excel. Mais tarde outros produtos como Microsoft Word e Corel Draw ajudaram a aumentar a popularidade do Windows, embora esse ainda precisasse de muitas melhoras.
Assim, em 9 de dezembro de 1987, é lançado o aperfeiçoadíssimo Windows 2.0, que fez do PC um ambiente muito mais parecido com um computador Macintosh. O novo sistema possui ícones para representar programas e arquivos, fornece suporte para memória expandida e janelas que podem se sobrepor(!). Porém, ainda utilizava o modelo de memória do 8088 e portanto era limitado a 1 megabyte, ainda que certas pessoas tivessem sucesso rodando o sistema em cima de outro multitarefa como DesqView.
A Apple, vendo a extrema semelhança entre seu sistema e o Windows, abriu um processo em 1988 alegando ter a Microsoft quebrado o acordo feito em 1985. A Microsoft se defendeu tendo o argumento que a licença lhe dava o direito do uso dessas características. Uma guerra judicial se arrastou por quatro anos. A Microsoft ganhou. Ao final, a Apple declarou que a Microsoft havia infligido 170 de seus copyrights. A corte judicial disse que o acordo de licença dava direito de uso da Microsoft de todos menos nove. Então a Microsoft alegou que os copyrights restantes não poderiam ser reinvidicados pela lei do copyright, já que a Apple pegou suas idéias da interface gráfica desenvolvida pela Xerox em seus computadores Star. Assim, um impresso de 01/06/93 do Microsoft Timeline resumiu a solução final:
"Microsoft announces that Judge Vaughn R. Walker of the U.S. District Court of Northern California ruled today in Microsoft's favor in the Apple vs. Microsoft and Hewlett-Packard copyright suit. The judge granted Microsoft's and Hewlett-Packard's motions to dismiss the last remaining copyright infringement claims against Microsoft Windows 2.03 and 3.0, as well as, the HP NewWave."
Uma outra frase resume o caminho trilhado pela empresa a partir de então:
"Microsoft become the top software vendor in 1988 and never looked back..." - Microsoft
Em 22 de maio de 1990 a versão 3.0 do Windows fora lançada. Foi melhorado o gerenciador de programas e o sistema de ícones, além de um novo gerenciador de arquivos e suporte a 16 cores. Foi melhorada a velocidade e a confiabilidade. Foram utilizadas as potencialidades do novo chip da Intel, o 80386. Para marcar isso ainda mais, o Windows anterior foi 'renomeado' para Windows 286, sendo o atual conhecido como Windows 386. A partir dessa versão aumentou em muito o suporte de desenvolvedores para a plataforma, fazendo com que as vendas alavancassem. Três milhões de cópias foram vendidas no primeiro ano, e o Windows se tornou padrão nos computadores domésticos.
Quando a versão 3.1 foi lançada, em 6 de abril de 1992, três milhões foram vendidos em apenas dois meses. As fontes TrueType foram adicionadas, junto de capacidades multimídia, OLE (Object Linking and Embedding).
Em novembro de 1993 foi lançada a primeira versão que integrou o Windows e a rede de trabalho, o Windows for Workgroups 3.1. O suporte a compartilhamento de arquivos e impressoras apareceu a partir daí. Duas aplicações novas também surgiram: Microsoft Mail, cliente de mail para uso em redes, e Schedule+, uma agenda de trabalho.
Depois do seu lançamento, Microsoft e IBM trabalhavam juntas na produção de um sistema chamado OS/2 para ser o sucessor do DOS e conseguir todas as vantagens do processador Intel 80286, permitindo usar até 16MB de memória (a maioria dos programas DOS estavam confinados a 640KB). OS/2 também suporta swapping e multitarefa. A IBM adicionou depois ao OS/2 um sistema gráfico chamado Presentation Manager(PM). Embora ele fosse de várias maneira superior ao Windows, sua API era incompatível com a usada por programas Windows. Entre outras coisas, as coordenadas da tela se orientava a partir do canto inferior esquerdo, como um plano cartesiano, enquanto o Windows se orienta a partir do canto superior esquerdo, o mais usual entre a maioria dos outros sistemas de janelas.
Nos anos 90, a relação IBM/Microsoft era muito próxima por causa do desenvolvimento do OS/2. As empresas cooperavam uma com a outra, e tinham acesso uma ao código da outra. Microsoft desejava avançar seu desenvolvimento no Windows, enquanto a IBM desejava que todo trabalho futuro fosse baseado em OS/2. Para resolver essa tensão, as duas combinaram que a IBM iria desenvolver o OS/2 2.0, para substituir OS/2 1.3 e o Windows 3.0, enquanto a Microsoft iria desenvolver um novo sistema operacional, OS/2 3.0, para depois suceder ao OS/2 2.0.
Esse acordo foi por água abaixo, e a relação IBM/Microsoft foi terminada. IBM continuou a desenvolver o OS/2 2.0 enquanto a Microsoft mudou o nome de seu ainda não lançado OS/2 3.0 para Windows NT. A Microsoft marketou o Windows NT tão bem que a maioria das pessoas não se deu conta que ele era um OS/2 redesenhado. Ambas as empresas obteram o direitos de utilizarem as tecnologias do OS/2 e do Windows desenvolvidas até a quebra do acordo.
A IBM lançou a versão 2.0 do OS/2 no início dos anos 90. O sistema foi uma grande melhora sobre o antigo OS/2 1.3. Apresentava um novo sistema de janelas (o Workplace Shell) orientado a objetos, para substituir o Presentation Manager, um novo sistema de arquivos (o HPFS) para substituir o sistema FAT utilizado pelo DOS e Windows e aproveitou todas as vantagens das capacidades 32 bits do processador 386 da Intel. Ele também rodava programas DOS e Windows 3.0, uma vez que a IBM tinha acesso e direito à essas duas tecnologias.
Para concorrer com a IBM, a Microsoft lançou o Windows 3.1, com pequenas melhorias à sua versão anterior, a 3.0.
A Microsoft continuou a desenvolver o Windows NT. A empresa requeriu os serviços de Dave Cutler, um dos chefes arquitetos da VMS na Digital Equipment Corporation (hoje parte da Compaq) para desenvolver o NT dentro de um projeto de sistema operacional mais capaz. Cutler estava desenvolvendo um seguimento para o VMS na DEC chamado Mica, e quando a DEC desistiu do projeto ele acabou trazendo para a Microsoft sua especialidade nesse sistema e algum engenheiros do projeto com ele. A DEC acreditava que ele usara parte do código do Mica no Windows NT e acabou processando a Microsoft. A empresa de Gates teve que eventualmente pagar 150 milhões para a DEC, além de concordar em suportar o chip Alpha CPU da DEC na plataforma NT.
Sendo um sistema operacional completamente novo, Windows NT sofreu com questões de compatibilidade com hardware e software geralmente usados na época. Ele era também concentrado em recursos, o que o deixava aceitável apenas para máquinas maiores e mais caras. Tanto que inicialmente foi dirigido a servidores de rede, workstations e máquinas de desenvolvimento de software. Por causa disso, a maioria dos usuário foi incapaz de migrar para a plataforma NT. E o Windows NT ainda estava projetado graficamente como o Windows 3.1, o que era inferior ao OS/2 Workplace Shell. Em resposta, a Microsoft começou a desenvolver um sucessor para o Windows 3.1, um projeto de codinome Chicago. Chicago tinha por objetivo apresentar uma nova GUI que competisse com o OS/2 Workplace Shell. Ele também foi projetado para ser de 32 bits e suportar execução multitarefa, como o OS/2 e o Windows NT. Só algumas partes do Chicago, entretanto, foram convertidas para 32 bits, e o resto permaneceu em 16. A Microsoft argumentou que a conversão total iria atrasar em muito o projeto, o que acabaria por encarecê-lo além do limite.
Para Chicago, foi desenvolvida uma nova API para substituir a de 16 bits do Windows anterior. Essa API foi chamada de Win32, e a outra renomeada para Win16. Houveram 3 ramificações: uma para o Chicago, outra para o NT e uma terceira chamada Win32s, que foi um subconjunto para o Windows 3.1 garantir a compatibilidade retroativa das versões. Também foi pensado num mínimo de compatibilidade entre o Chicago e o Windows NT, mesmo que os dois possuissem duas arquiteturas radicalmente diferentes.
Em setembro de 1994 é lançada o Windows NT 3.5. A versão Workstation substituiu o Windows NT 3.1 e a versão Server o Windows NT 3.1 Advanced Server.
Em meio à uma febre de consumismo, no dia 24 de agosto de 1995, foi lançado a revolução no sistema gráfico da Microsoft. O Windows 95 foi considerada uma interface de usuário muito mais amigável que suas versões anteriores. Ainda possuia a vantagem de não necessitar mais de uma instalação prévia do DOS, e passou a suportar nomes de arquivos longos e incluir suporte a TCP/IP e dial-up networking integrados. Muitas mudanças foram feitas no sistema em si, como a passagem para 32 bits (como vimos, parcial) e o novo conceito de threads.
A Microsoft lança em 25 de junho de 1998 a última versão do Windows baseada no kernel do DOS. O Windows 98, além de melhorar a confiabilidade do sistema, incluiu no seu pacote um navegador web, o Microsoft Internet Explorer 4. O novo sistema passou a suportar novos dispositivos de entrada, como a USB. Mais tarde uma atualização seria lançada, chamada de Second Edition (SE), com mais aplicativos compatíveis e relacionados à Internet, em especial o Internet Connection Sharing.
Em novembro de 1998 é lançada a versão 5.0 do Windows NT, conhecida como Windows 2000. Melhorias significativas foram feitas ao acesso à Internet, intranet e extranet. Aplicações de gerenciamento se integram fortemente, e a grande novidade em termos de estruturação de dados é o Active Directory, uma tecnologia compatível com o conceito de Distributed File System, que viabiliza uma nova forma das empresas organizarem seus dados de maneira mais transparente à rede.
Em 14 de setembro de 2000 a nova versão caseira do Windows é lançada. O Windows ME (Millenium Edition), totalmente (provavelmente) convertido para 32 bits e, portanto, independente do kernel do DOS, vem com diversas melhorias nas características multimídia e versões mais poderosas dos aplicativos do pacote Windows, o ponto forte da atualização do sistema.
Chega às lojas no dia 25 de outubro de 2001 a unificação entre as plataformas de uso doméstico e corporativo do sistema. O Windows XP usa o kernel de 32 bits de seus antecessores Windows NT e Windows 2000. É vendido em duas edições: Home e Professional Edition. O design do sistema foi totalmente remodulado para suportar ao mesmo tempo a facilidade de uso do usuário doméstico e a robustez e confiabilidade dos clientes corporativos.
Está previsto ainda para o ano que vem a nova versão da plataforma NT, com novidades na interface com o usuário e melhorias na segurança do sistema como um todo. O destaque fica por conta da quebra de compatibilidade com programas que se utilizam de pequenas brechas na manipulação do sistema, como anti-vírus e algus tipos de firewall. A versão 64 bits pretende permitir que apenas código assinado pela Microsoft rode em kernel-mode, o nível de execução privilegiado do sistema operacional.