# Temperatura e tempos na Airfryer
Caloni, 2026-01-13 <cooking [up] [copy]Batata frita in natura (3 médias): na água por 30 mins, no azeite por 25 mins em 180 graus. Mexa de 5 em 5.
Salmão descongelado (400g): 15 minutos em 200 graus.
# Citas Barcelona
Caloni, 2026-01-15 <cinema <series [up] [copy]Citas Barcelona é um ótimo exemplo de uma série muito boa em sua primeira temporada, que extrair personagens e diálogos orgânicos e que poderiam ter acontecido de verdade, e isso por mais bizarra a situação que eles se encontram. Ele é verdadeiro. Não quer doutrinar seu espectador. Quer contar histórias de possíveis inícios de relacionamento em um mundo desconectado e tão diferente entre si. Ele encontra valor no choque de valores e de anseios de seus personagens buscando a felicidade em uma grande metrópole.
A segunda temporada destoa completamente. Nesta fica óbvio o trabalho de roteirização de situações artificiais com personagens menos desenvolvidos que o ideal. Eles são meros bonecos nas mãos nada habilidosas de seus idealizadores, que preferem (aí sim) doutrinar o grande público acerca de questões sociais ou pessoais e se esquece do que tornava a série um exemplo fora da caixa. Se torna mais do mesmo nessa imensidão de horas de streaming vomitando opiniões alheias sem força, sem vontade. É apenas a máquina burocrática de criação de historietas menos interessantes que pegar um elevador em um condomínio. São as coincidências absurdas, em colocar na boca de personagens frases fáceis, quase previsíveis. É o anti-exemplo de tudo o que (felizmente) a primeira temporada não foi.
# Ascendant
Caloni, 2026-01-17 <tarot <quotes [up] [copy](...) it is called the Ascendant, because when the ☉ and planets come to the cusp of this house, they ascend, or then arise, and are visible in our horizon.
An Introduction to Astrology (William Lilly, Zadkiel, 1852)
# The Gut-Brain Connection, Mental Illness, and Disease: Psychobiotics, Immunology, and the Theory of All Chronic Disease
Caloni, 2026-01-17 <body <blogging [up] [copy]“The Gut-Brain Connection, Mental Illness, and Disease: Psychobiotics, Immunology, and the Theory of All Chronic Disease,” was written by my good friend Emily Deans, MD.
Wired to Eat (Robb Wolf)
# Fulaninho
Caloni, 2026-01-20 <fiction [up] [copy]Fulaninho nasceu em 2037 e quando atingiu a idade de 9 anos decidiu que queria ser programador. Só que naquela época programar computadores era dar ordens a alguma IA especialista em fazer o serviço. Fulaninho pensava se havia uma época em que programadores precisavam pensar por si mesmos, buscar conhecimento para concluir o projeto, escrever código, testar, corrigir e lançar. Haveria uma época em que todo esse trabalho era necessário? Ele acreditava que sim. Afinal de contas, a IA não estava por aí o tempo todo, não é mesmo?
Na dúvida, perguntou para uma IA especialista em História. Sim, elas não estavam aí o tempo todo. Elas surgiram por volta da década de 20. Se tivesse tido um pai programador, provavelmente ele teria começado sua carreira fazendo o que Fulaninho sentia que devia fazer.
Mas ele não teve pai. Teve duas mães. Quer dizer, uma mãe. A outra, ou outre, não se identificava como mãe, ou como mulher, ou até mesmo como ser humano. Ela… elu se identificava como mastodonte.
Mas o que é um mastodonte? Fulaninho não sabia. Sua outra mãe que não era mulher, nem mãe, nem humano, também não sabia. Ela… elu gostava da palavra. Soava bonito. Era chamativo: mastodonte. Era algo grande, admirável até. Ou pelo menos em sua imaginação.
Seu nome também foi escolhido dessa forma, mas não era dos mais originais. Fulaninho já estava na moda fazia várias semanas quando suas… seus… enfim, escolheram seu nome. Aparentemente, pelo que Fulaninho tinha conversado com a IA de História, após uma tendência das pessoas darem nomes de pessoas para pets, começou uma nova tendência de dar nomes de animais e coisas para seus filhos humanos (não-pets). Cada vez mais os nomes eram esquisitos. Até que algum influencer despontou com Fulaninho. Foram mais de 7 mil likes em duas horas. Pegou por quase um mês. Nesse mês nascia este Fulaninho, o que queria ser programador das antigas.
Mas querer uma coisa que não se sabe o que é parece papo de “conspira”. Assim eram chamados os que achavam que havia alguém controlando tudo isso aí. Não entendia muito bem o termo, para falar a verdade. Mas era uma forma de menosprezar a opinião de alguém sem agressividade. Foi proibido agressividade depois que a constituição foi alterada.
Mas enfim. Estava divagando. De novo. Na verdade, na verdade, Fulaninho não sabia muito bem o que queria. Ele não sabia nem o que era querer de verdade. Quem quer algo precisa não ter este algo antes de querê-lo. Porém, ele já tinha tudo. Ou pelo menos tudo o que precisava. Pelo menos assim foi ensinado: tinha tudo que precisava. E quem tem tudo que precisa não tem que querer mais nada. No máximo querer que todos tenham a mesma coisa que ele (infelizmente muitos não tinham, foi ensinado).
Então a vida era só isso. E não precisava ser mais nada. E, ainda assim, ele achava que queria ser programador das antigas. Como seu pai, se tivesse um pai. E ele fosse programador há muito tempo atrás. Não sabia muito sobre as outras profissões de antigamente. Hoje parecia que tudo girava em torno de dar ordens às máquinas. Toda a humanidade poderia se dizer programadora. Ou pelo menos todas as empregadas. As outras, não se sabe muito bem que fim deu.